Jumentinho nunca montado…

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Quase chegando a Jerusalém, Cristo ordenou a dois dos discípulos que entrassem em Jerusalém e lá logo no começo da cidade haveria um jumentinho amarrado, nunca montado. Era para desamarrar e trazê-lo. Jesus entraria na cidade montado nele.

Minhas perguntas:

1 – Como se sentiram os donos deste jumentinho, quando souberam que era para Jesus? O que eles sabiam sobre Jesus?

2 – Jesus foi o primeiro a montá-lo. Será que alguém ousou montá-lo depois? O jumentinho ficou em alguma exposição de animais para ser visto por todos? O dono vendeu o jumentinho por algum valor bem mais alto do normal? Ou nada aconteceu?

De qualquer forma, os donos deste jumentinho puderam servir a Cristo cedendo o meio de transporte. E o jumentinho? É um animal de muita sorte: Foi montado pelo Redentor!

A Cura do Cego Bartimeu (Muito linda!)

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II – O segundo fato que reli, nesta semana que antecede a Páscoa de 2011, é sobre a cura do cego Bartimeu, que ocorreu na cidade de Jericó e foi registrado por Marcos. Que não foi discípulo, mas tudo indica que ele caminhou bem próximo de Jesus, pelo menos nos últimos dias da vida de Cristo. Alguns acham que ele é o jovem rico que Cristo mandou vender tudo que tinha e distribuir aos pobres. O texto está no Evangelho de Marcos 10. 46 a 52

Bartimeu, era cego e não surdo. Ouviu muito bem que algo diferente estava acontecendo. Era muito barulho de pés no chão e muito vozerio para ser algo cotidiano. Perguntou o que era. Disseram que Jesus de Nazaré passava pela cidade. Quando ele ouviu que era Cristo, começou a gritar desesperadamente: “Jesus Filho de Davi, tem misericórdia de mim!” O uso da expressão “Filho de Davi” revela que aquele homem conhecia a linhagem de onde nasceria o Messias. Quer dizer, ele acreditava pela história da Torá, que Jesus era o Redentor.

Algumas pessoas, quando ouviram seus gritos, mandaram que ele calasse a boca. Mas ele gritava mais e mais. E Cristo ouviu seus gritos e mandou chamá-lo. Nossa, quando ele soube que Jesus o chamava, não teve dúvida, largou a capa e rapidamente pôs-se em pé e foi na direção de onde vinha a voz de Cristo. Questionado sobre o que queria, respondeu: “Que eu volte a ver.”

Imediatamente, recuperou a visão. Pulou de alegria e junto com a multidão foi caminho a fora seguindo Jesus.

Lições que me ocorreram:

1 – Quanto tempo, das 24 horas diárias que tenho, gasto em conhecer mais sobre a minha dimensão espiritual?

2 – O quanto estou atenta aos acontecimentos que passam por mim? Será que já perdi oportunidades porque estava desligada ou distraída com coisas menos sem valor, e não vi as oportunidades que passaram por mim?

3 – Quanto de coragem eu tenho, para não calar a boca, diante daquilo que acredito?

4 – Estou disposta a deixar de lado coisas as quais estou apegada e correr na direção da Vida, que abre os meus olhos e me ajuda a enxergar?

5 – Eu sei exatamente o que quero para mim e para a minha vida, se for indagada?

Fiquei pensando que, Bartimeu seguiu a Jesus e alguns dias depois Cristo morre crucificado no Golgota. Imaginei a tristeza no coração dele, até saber da Ressurreição, de ver morrer como bandido aquele que lhe restituíra a visão.

15.abr.2011 -11h42

Cristo Jesus e as Crianças

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Cristo sempre valorizou as crianças e teve tempo para elas.

Se fossemos repassar toda a vida de Cristo nestes dias que antecedem a Páscoa, estaríamos na última viagem dele para Jerusalém, onde culminou com sua morte na cruz e ressurreição.

Um dos eventos que gosto de reler é aquele onde Ele interrompe sua viagem para atender os pais que traziam as crianças para serem abençoadas. Percebo algumas lições esquecidas nesta história:

1 – Cristo ficou enraivecido com os discípulos que impediam os pais de chegarem perto dele, com as crianças. Indignado ordenou que os discípulos não atrapalhassem .

2 – Ele nunca esteve muito ocupado para não ter tempo para uma criança. Recebeu as crianças, pegou-as no colo e numa atitude paternal as abençoou.

3 – A indignação de Cristo aqui foi com aqueles que mesmo devendo ser pessoas esclarecidas, os discípulos, tinham atitudes onde as crianças eram excluídas.

4 – Cristo defendeu as crianças, que são indefesas e desprotegidas. Não se intimidou diante dos homens que eram seus seguidores.

PERGUNTAS REFLEXIVAS:

Nossas raivas tem a ver com nossos interesses ou nos indignamos diante de abuso para com os indefesos, como no caso as crianças?

Somos pessoas que amamos e protegemos as crianças, ou somos daqueles que ficam irritados com a presença dela e as excluímos de bênçãos, benefícios e direitos que elas deveriam receber?

Somos capazes de interrompermos nossas coisas importantes, parar e dar atenção a uma criança, como Cristo fez?

Somos capazes de descer na mesma altura de uma criança ou de pegá-la no colo, e olharmos em seus olhos dando toda a atenção para ela, ou simplesmente as ignoramos?

Escutamos o choro de uma criança, escutando também seu coração e suas necessidades, ou simplesmente a afastamos para não ouvir mais seu choro?

Meu Herói Venceu a Morte!

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Vovó, quem é seu herói? Perguntou-me perguntou Paolo, meu neto que na época tinha cinco anos. Devolvi a pergunta, antes de responder. Ele enumerou vários, uma vez que estava encantado com o poder dos heróis criados nas estórias infantis.Respondi: “Meu Herói é o JC.” “O que ele faz?” Disparou, o garoto. Tive que rapidamente organizar as idéias e transformá-las em linguagem infantil. Afinal o que eu mais desejava era revelar que o JC era superior, não usava de efeitos especiais e poderia mudar o sentido da vida.Afirmei: “Meu Herói é capaz de colocar cor e gosto na água, e ela fica linda e saborosa. Ele pega um pedacinho de pão e transforma num pão bem grande que dá para muita gente comer. Pega um peixe pequeno e transforma em milhares de peixes. Só de colocar a mão na cabeça de uma vovó doente, a febre foi embora. E quando um barco estava quase afundando por causa do vento e da chuva ele mandou a tempestade parar e ela obedeceu.” Ele ouvia com os olhinhos e ouvidos bem abertos, mas dava para ver que preparava uma resposta, na tentativa de enfraquecer meu Herói. E veio com a afirmação: “Mas tem uma coisa: Seu Herói não tem corpo forte, o meu tem. E se o meu encontrar o seu terá uma briga e o seu vai perder.” Ai, tive a oportunidade de apresentar o Herói que venceu a morte. E falei: “O JC, não se preocupa em ter corpo forte, nem em lutar. Sabe por que? Porque uma vez, um amigo dele ficou doente e morreu. O corpo já estava até apodrecendo, mas o JC chegou e mandou ele sair do cemitério e ele saiu.” Paolo ouvia já concordando que meu Herói era superior a todos que ele tinha. Eu continuei: E tem mais: “Uma vez, enganaram ele, e os policiais chegaram e o prenderam. Bateram, cuspiram, fizeram mil perguntas e finalmente ele foi condenado a pena de morte. Ele morreu numa sexta-feira, mas quando chegou no domingo a cova dele ficou vazia. Ele saiu de dentre os panos que enrolavam o corpo morto dele. Os panos ficaram lá como uma embalagem, mas dentro não tinha corpo algum.” “Ele viveu novamente?” O garoto perguntou. Respondi: “Sim”. Não só isto. Além dele ganhar da morte ele garantiu que eu e você, mesmo que a morte chegue, poderemos também, sair da cova e viver novamente.” Ele continuava me olhando, mas agora sem tentar me convencer que os heróis dele, tinham mais poder. Afinal, se tinha uma coisa que ele não queria era morrer. E na cabecinha dele se o meu Herói era mais forte que a morte, então ele queria.

Perguntei: “Você acredita no meu Herói? Ele respondeu: “Sim. Claro!”

“Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá.” João 11.25

* Publicado no “Cada dia com Deus” Meditações Holiness de 2011

Desconexão

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Na Bíblia a desconexão humana começou no Edem, após a desobediência . Por causa dos sentimentos de medo e vergonha, decorrentes por terem falhado, homem e mulher fazem uma cobertura para seus corpos, se escondem de Deus e quando se apresentam não assumem a responsabilidade pelos próprios atos. Todos concordam que a partir daquele momento, houve uma cisão entre o ser humano e Deus; entre o ser humano e o próximo e entre a pessoa e ela mesma. E desta forma já não sabemos identificar e ainda negamos o que sentimos. As vezes temos medo de pensar e em muitas situações nos tornamos escravos de nós mesmos. Falamos apenas meias verdades que por ser apenas metade da realidade se transformam em mentiras. E como nem sabemos mais quem somos acusamos os outros, e a Deus pela bagunça que muitas vezes fazemos com as nossas vidas. A psicologia vê as cisões como uma forma de proteção e defesa, de si mesmo, diante do desconforto e da dor. Na criança, estas desconexões são necessárias a sobrevivência. Mas na vida adulta é possível adquirir recursos para buscarmos tudo aquilo que estrangulamos em nós mesmos.

O interessante é que se ouve muitos sermões sobre a desconexão da pessoa para com Deus; alguns sobre a cisão entre uma pessoa e os outros, mas raramente se ouve alguma menção sobre a cisão de si mesmo.

É importante encararmos esta realidade, porque vivemos de acordo com estas divisões empobrecendo absurdamente a própria vida.

Esta desconexão separa o pensar do sentir, como se houvesse um corte no pescoço separando o corpo da cabeça. E uma vez separada, em si mesma, a pessoa passa a viver a vida apenas pela metade. Além disto, o comportamento resultante destas divisões ou revelam pessoas que passam por cima de si mesmas e dos outros, ou pessoas que agem apenas de acordo com os seus desejos e sentimentos sem se importarem muito com as conseqüências. E assim causam muitos danos aos outros e a si mesmos. O trágico disto é que tanto os primeiros como os segundos machucam e ferem desnecessariamente aqueles que estão a sua volta e que lhes são queridos. Os racionais ferem porque defendem as verdades que crê como indissolúveis e absolutas. E todos que estão sob sua influência terão que aceitar o que foi determinado. Neste tipo de relacionamento não há escuta amorosa e nem acolhimento. Não há espaço para que o outro se pronuncie e revele suas dificuldades. Só existe a opção de atender o que foi determinado, mesmo que o prescrito venha trazer prejuízos para quem obedece.

Os emocionais não param para pensar e avaliar o preço e as possíveis conseqüências que terão que enfrentar como resultado de ter seus anseios e vontades satisfeitas. Assim machucam porque agem considerando apenas o que pode ser bom para si mesmo e naquele momento. Ferem porque sentiram que deveriam fazer determinada coisa e fazem. Não se importam com o prejuízo causado a outros envolvidos. São pessoas que não conseguem conviver com o desconforto de ver que muitas coisas não saíram como ela queria. Ou não conseguem viver com a angústia da falta. Assim tiram o que não deveriam tirar ou deixam de dar o que é de direito de outros.

A boa notícia é que é possível fazer a integração destas partes separadas. Salomão, em Provérbios 16.32, declara que é mais importante dominar a si mesmo do que conquistar uma cidade. E Cristo, no evangelho de Lucas 9.25, nos alerta que não adianta ganhar o mundo inteiro e perder a si mesmo. O caminho da integração entre pensar e sentir, pode ser dolorido, cheio de vergonha, choro e sensação de menos valia. Em muitas situações se traduz entre o ocorrido no passado e o que se vive no presente. Nestes casos se faz necessário a reconciliação entre o agora e o que já passou. Afinal o passado mora em nós. Na fé cristã temos como referencial a vida de Cristo e o seu exemplo. O seu exemplo porque em sua genealogia estão presentes as histórias de pessoas que fizeram parte do seu passado e tiveram comportamentos não tão honrosos. E em sua vida porque há o seu sacrifício vicário, que nos acolhe em toda e qualquer vergonha, dor e desconforto.

Então da mesma forma que Cristo é o meio para a reconciliação com Deus, Ele é também o meio que dá suporte e possibilidade para a reconciliação consigo mesmo.

Se quisermos um viver abundante e com intensidade precisamos conectar tudo aquilo que em nós por alguma razão foi um dia desconectado.

A Vida na Ressurreição

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Voltei a blogar e recomeço com este texto que me tocou muito. Penso que por diversas vezes na minha vida tive que sair da morte para a vida. Espero que seja de proveito para você também!

A BIOLOGIA DA RESSURREIÇÃO

Carlos Hernández (Psiquiatra Argentino)

(compilado por Talita A. Ribeiro e distribuído no boletim virtual aos participantes da Comunidade de Jesus, do Campo Belo- São Paulo)

A biologia da ressurreição tem a ver com uma visão menos limitada da vida. Não é como a biologia reducionista, onde o que nós vemos é o que está certo, aquilo em que acreditamos é que determina a nossa vida.

O que nós fazemos quando nos acontecem as coisas que não deveriam acontecer? Não suportamos que aconteça algo que não queríamos que acontecesse – “Se acontecer alguma coisa que eu não quero, não vivo!”.

Quais seriam as possibilidades que se abortaram com o fracasso? Quais as que se abriram? Como se perde o desfrute daquilo que vem depois do fracasso, por não se saber lidar com ele!

Jesus, no Getsêmani, experimenta o momento de radicalidade, da dor e da crise. “Pai, se for possível, passa de mim este cálice”. Mas a crise não é o final, e sim a porta por onde entra a vida. A ressurreição é a vida entrando pela fresta da morte pra dentro de nós.

Dizem os antropólogos que o nascimento é o acontecimento mais traumático que o ser humano experimenta em toda a sua vida. É um estresse de uma intensidade biológica incrível, imprescindível para o que iremos enfrentar a seguir, a vida. A criança é obrigada a atravessar um túnel apertado, onde é exercida uma grande pressão na sua cabeça, sua respiração é interrompida, muda a temperatura ambiente… O grito (choro) é o sinal da vida que chegou na criança. Ele é como uma ginástica, preparando o pulmão para respirar. Uma nova biologia, uma nova possibilidade espiritual.

O Salmo 131. 2 traz a imagem do nenezinho que perdeu o útero, mas encontrou consolo no seio de sua mãe: “…fiz calar e sossegar minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo”.

Com a biologia da ressurreição quero dizer que a vida é mais que a morte.

“Sem a ressurreição é vã a nossa fé”.

Domingo – A Vida de Novo!

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A VIDA VENCEU A MORTE!

Páscoa sempre me lembra que a última notícia não é a morte; a última notícia é a Vida!
Cristo venceu as garras da morte, rompeu de dentro das mortalhas, removeu a pedra sepulcral e saiu vivo e glorioso para a luz!
A morte perdeu seu aguilhão! Cristo Jesus, vive!

O poder misterioso de Deus que é capaz de trazer a luz o que estava no profundo do escuro; que deu vida ao que estava morto; e que refez o que estava deteriorado é que me dá coragem de permanecer junto com aqueles que foram tomados pelo desanimo e desespero. Muitas vezes diante da perplexidade e do sofrimento humano, eu nem sei o que falar, as vezes me vejo totalmente impotente, mas nunca me vejo, ou me sinto, sem esperança!

O caminho de vencer a morte e resgatar a vida, na Páscoa, é penoso. Ele se iniciou no monte das Oliveiras (Getsemâne) com a ausência dos amigos, com a traição de um companheiro e a conseqüente prisão na noite de quinta-feira. Na sexta-feira passou pela solidão medonha e uma morte torturante, no madeiro. Foi enterrado no fim do dia. Continuou pelo silencio sepulcral e congelado do dia seguinte, depois do cemitério. Mas rompe vitoriosamente na madrugada do domingo, se revelando aos tristes e deprimidos (Maria de Magdala) trazendo-lhe nova esperança; e caminhando entre os desanimados e frustrados (os dois discípulos na estrada de Emaús) aquecendo-lhes os corações.*

Eu creio que realmente tudo isto é verdade! Aconteceu mesmo!

E é assim que vejo os processos de libertação e renascimento nas vidas humanas.
Quem tem medo do abandono e da vergonha da quinta, da solidão e de algumas mortes na sexta, e do silêncio petrificante do sábado, jamais experimentará a redenção e a nova vida do domingo. E sendo assim nunca experimentará o viver livre e pleno. E terá pouco para oferecer aos que sofrem!

Que nestes dias, o exemplo de Cristo, possa renovar nossas forças, as suas e as minhas, para caminharmos na direção do domingo de Páscoa, várias e várias vezes. Tantas quantas forem necessárias para experimentarmos a liberdade de uma vida autêntica e encontrarmos a Vida abundante! Vida que não tem fim!!!

Páscoa é liberdade! É passagem da morte para uma vida que transcende!
E por uma invenção humana, é também… chocolate!

Abraço apertado.
esther carrenho
* (Com base no texto sagrado: narrativa do Dr Lucas, capítulos 22,23 e 24)

Sábado – Silêncio e Expectativa!

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Na cultura judaíca, não se fazia nada no sábado. E as pessoas mais próximas de Cristo, experimentaram neste dia o vazio da ausência. O “after day” depois da morte e do sepultamento.

Quem já passou pela perda de alguém próximo e querido sabe que o dia seguinte é um dos mais terríveis na existência de quem fica. É a hora da realidade. É o momento onde se belisca, o próprio corpo, para ver se não está vivendo apenas um pesadelo. É quando se faz necessário recorrer a todo e qualquer recurso, para encarar a realidade da dor aguda do silêncio mortal. É o tempo de lembrar de quem partiu, mas é também o tempo de olhar para si mesmo e se perceber e aguentar até o fim toda a dor da falta. Do nada. Da voz que ecoa no infinito até desaparecer totalmente! É o tempo do encontro com a mais terrível dor. A dor de ter permanecido, de ter sobrevivido e não ter partido junto!

Maria Madalena, Maria mãe de Jesus e mais algumas mulheres esperavam o dia terminar, a noite chegar e adentrar a madrugada. Ao nascer do novo dia elas seguiriam até o túmulo onde o corpo de Cristo fora depositado. Lá elas prestariam os últimos cuidados a Ele, que era tão amado e a quem elas eram agradecidas.

É um dia longo! As horas demoram a passar, como que dando mais tempo para o contato com o mais profundo do próprio ser e experimentar até o fim toda a dor dilacerante da realidade da despedida de quem não mais se terá a presença. Acabou!

O único consolo é a oportunidade de mais uma vez ver e tocar o corpo sem vida. Cuidar dele pela última vez e deixá-lo pronto para sempre no túmulo!

Sexta-Feira – Morte e Sepultamento

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Na sexta-feira, Cristo estava exaurido fisica e emocionalmente! Não teve forças nem para carregaro próprio madeiro.

Lembro-me quando contei esta história para meu filho, Carlo André, que na época, tinha seis anos. Ele chorou copiosamente.

A cruz era uma forma de matar apenas os criminosos que cumpriam pena de morte. Cristo foi considerado criminoso. E foi na cruz que ele bradou em alto e bom som, de tal forma que todo o mundo a volta pode escutar, a pergunta ao Pai, questionando a razão daquele abandono horroroso! Esta é uma lição forte para mim. Muitas vezes não sou capaz de falar da minha sensação de solidão nem para os meus queridos que caminham lado a lado comigo. Diferentemente de Cristo, até digo a todos que estou bem, quando na verdade me sinto só e necessitada de cuidados.

Ele morre. Houve trevas e terremoto na sua morte. Foi retirado da cruz por Jose de Arimatéia e Nicodemos, que tiveram a companhia de poucas pessoas. Entre elas estava sua mãe, Maria e Maria de Magdala, que tinham interesse em ver aonde seu corpo seria colocado. Elas voltariam no domingo para terminarem a preparação do corpo para o sepultamento.

Quinta-Feira – Prisão

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A quinta-feira da semana da crucificação, terminou no Monte das Oliveiras, Getsemâne. Lá Cristo experimentou a indiferença dos amigos mais íntimos, que dormiam enquanto ele passava por uma terrível angústia. Este episódio me toca profundamente, porque espero muito dos meus amigos mais próximos. Sofro desesperadamente quando por alguma razão eles se ausentam e deixam de se importar comigo. Cristo experimentou este desamparo, quando sentia um pavor horroroso antevendo a dor que iria passar.Nenhum amigo gastou tempo com ele, mesmo ele implorando! E pior ainda foi que nesta mesma noite ele foi traido, com um beijo, por um dos companheiros, Judas Iscariostes, que tinha experimentado da convivência com Ele por tres anos!

Em seguida foi preso e passou uma noite de “cão” sendo levado para lá e para cá, sendo interrogado e humilhado. E nesta mesma noite, um outro companheiro de equipe, quando interrogado, se conhecia Cristo, disse que não sabia quem era e que nunca ouvira falar no nome dêle. Pode? Meu Deus, se um amigo meu fizesse isto eu jamais olharia para a cara dele.

Sempre que experimento algum tipo de traição e desamparo me lembro deste momento tão angustiante que precedeu aprisão de Cristo Jesus.

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