13 RAZÕES PORQUE NÃO TIRAR A VIDA DO CORPO.(Uma ótica cristã.)

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(Escrevi este texto como aula que dei, no mês de abril/17 para um grupo de adolescentes que fazem parte do 548 da CBMoema. Transcrevo aqui porque entendi que pode ser de interesse de outras pessoas.)

1 – SOMOS MORADA DE DEUS! Romanos 8.11

O Santo Espirito de Deus habita no corpo humano.

Deus criou o corpo no início. E Cristo disse que o Espirito Santo mora em nós. O corpo é sagrado. Não temos autorização para violar ou destruir a morada de Deus.

2 – NÃO PRECISO ME CASTIGAR! Isaias 53.5

O castigo que nos traz a paz estava sobre Ele, Cristo.

O autoflagelo está fortemente ligado ao sentimento de culpa e ao sentimento de dívida. É preciso pagar…

Não precisa!!! Já está pago. Isto é afirmado categoricamente. Há realmente um castigo que alivia a dor da psique. Mas este castigo já foi sofrido na morte de cruz em Cristo. Seja bondoso e misericordioso para com você mesmo.

3 – SOMOS OBRAS DE DEUS. Salmo 139.13

Deus criou o íntimo do meu ser e teceu o meu corpo no ventre da minha mãe.

Não somos obra do acaso. Deus falou: Haja eu!!! Houve um decreto no universo para que você existisse do jeito que você é. Não existe dois DNAs e nem dois digitais! Você é único, mesmo caminhando numa multidão. Se alguém lhe disse algo diferente, jogue fora esta fala.

4 – SOMOS PERDOADOS. TOTALMENTE! 1ª Carta de João 1. 9

“Se confessarmos nossos pecados ele é fiel e justo para nos perdoar de todo o pecado e nos purificar de toda injustiça”.

Não carregue culpa por nada. Carregar culpa é algo incoerente com o evangelho de Cristo. Confesse toda e qualquer culpa, verdadeira ou falsa, e João que foi amigo íntimo de Cristo, disse que vc será perdoado. Carregar culpa é a mesma coisa que montar um cavalo com um fardo nas costas. O preço já foi pago. Deus olha para sua ficha através do sacrifício vicário de Cristo, e não vê nada anotado. Está limpa. Confesse e aceite o perdão doado.

5- DEUS NUNCA ME ABANDONA. Salmo 27.10

“Ainda que meu pai e minha mãe me abandonem Deus não me abandonara.

Em toda a Biblia Deus tem um cuidado especial para com o estrangeiro, para com o pobre, com a mulher desamparada e nunca, mas nunca mesmo desampara o órfão!

Há muitas situações que colegas de escola, do trabalho, professores e pessoas insensíveis, as vezes movidas por inveja, vão zoar você. Vão menosprezar e farão de tudo para diminuir você. Lembre-se disto. O Pai (Deus) garante que ficará do seu lado e nnca, jamais o abandonará.

6 – TENHO TALENTOS ESPECIAIS E DONS! Romanos 12. 6 a 8

Deus nos deu talentos antes de nascer, e dons especiais quando cremos em Cristo.

E ainda nos dá maneiras únicas de realiza-los.

Uns são em especial sensíveis, outros falam bem, outros são extremamente simpáticos. Outros manejam bem as mãos; outros os pés. Outros são criativos; outros enxergam o que ninguém vê. Uns trabalham bem sozinhos; outros gostam de presença. Uns são dados a pesquisas outros a realizar. Uns são hábeis para as ciências exatas; outros para ciências humanas. Uns transitam bem no mundo dos poderosos endinheirados; outros caminham com os miseráveis nos becos dos “homeless”. Uns enfrentam os bandidos exploradores, sem medo; outros defendem a dignidade, muitas vezes, perdida, destes mesmos bandidos.

Lembre-se sempre disto: Aconteça o que acontecer há algo especial que só você tem.

7- ELE É MEU PROTETOR NAS TEMPESTADES DA VIDA! Salmo 57.1

Teremos dores e perdas. Sofreremos traições, injustiças, golpes, incompreensões e outras dores.

Enquanto for dada ao ser humano a liberdade de escolher o bem, muitos escolherão o mal e assim muitos inocentes serão vítimas deste mal. Até a natureza, uma vez que foi invadida pela humanidade pode nos dar golpes vingativos. Mas podemos nos proteger sob as asas do Pai, Deus.

Ele é meu protetor. Posso me esconder nele até as tempestades passarem.

8 – DEUS TEM PODER PARA ME GUARDAR! Judas 24

Ele é poderoso par anos guardar até o dia final.

Não preciso temer o futuro. Nem qualquer coisa que possa me atingir. Aconteça o que acontecer posso desenvolver a capacidade de desfrutar da presença de Deus em toda e qualquer situação.

9 – SOMOS ACEITOS POR DEUS. João 6.37

Somos aceitos por Cristo, como somos.

“Aquele que vier a mim de maneira nenhuma lançareis fora”. CJ

Não importa por onde você andou, nem quantas vezes fez coisas ferradas, nem quantos danos já causou a si mesmo e a outros a fala de Cristo é: VENHA! Do jeito que você está e Ele é capaz de aceita-lo.

É Graça. Não precisa pagar promessa, e nem pagar nada. É só ir como está…e o novo pode surgir!

10 – CRISTO É FONTE DE DESCANSO E ALIVIO.

Mateus 11.28

“Vinde a mim todos que estão cansados e oprimidos e eu vos aliviarei. Aprendam de mim, que sou manso…e meu jugo é suave; meu fardo é leve”

Quando estamos cansados e oprimidos, seja lá qual for a razão, podemos ir a Cristo e encontramos alivio.

Ao contrário da religião cheia de regras, o verdadeiro cristianismo é um lugar de refrigério e consolo. É um lugar de leveza e acolhimento. Não confunda regras religiosas criadas pelos homens que trazem condenação e exigências absurdas com o convite de caminhar na contracultura com Cristo.

  1. DEUS PODE FAZER NOVOS CAMINHOS SE TUDO ACABAR, Isaiais 43.9

Deus é poderoso para fazer novos caminhos, mesmo que seja no deserto. Mas Ele só pode fazer o novo se o corpo continuar vivo.

É preciso sentir a perda e se despedir do que se foi. E estar pronto para recomeçar com o que estiver disponível!

Exemplo do Lars Grael que perdeu uma perna. Chorou por ela, mas chegou um momento que ele se despediu da perna que não mais existia e colocou seu foco no corpo que ainda tinha.

A vida é uma só e ela está no corpo. Mesmo para quem crê na reencarnação, a vida presente continua sendo através do corpo. Destruí-lo é abrir mão de toda e qualquer esperança para as possibilidades de começo em novos caminhos.

  1. SOMOS VALIOSOS AOS OLHOS DE DEUS. Mateus 6.25 e 26

Valemos mais que passarinhos. Muito mais!!!

A crença de que não se tem valor é mentirosa. Quem lhe fez sentir sem valor, errou absurdamente. O simples fato de você respirar o oxigênio do ar já é um sinal de que você tem valor e tem a sua disposição a bondade de Deus.

  1. VOCÊ NÃO É IDIOTA. DEUS NOS FEZ FILHOS! João 1.12

Carregamos o DNA de Deus. Temos parte da identidade dÊle.

A vida tem sentido! Você não é o resultado de um descuido. Há um significado pra você! Não permita que a morte precoce deixe um vácuo no sentido não concluído neste mundo.

Viva!!!

Suicídios na Bíblia

Judas: Mateus 27. 1 a 5 Atos 1.18/19

Judas se matou por causa da culpa…

Saul I livro de Samuel 31 1 a 5 e I Crônicas 10. 4 a 6

Saul percebeu que sua morte seria eminente e a antecipou.

DIÁLOGO SOBRE O SUICÍDIO

A morte é um assunto evitado na atualidade.

Tanto que crianças nunca participam dos rituais de velórios.

Batemos na madeira quando se fala em morte…

E falar sobre a realidade da morte e a finitude da vida aqui é a possibilidade de se viver melhor!

As mortes trágicas chocam muito…

Suicídio é uma morte trágica.

E, claro, se não falamos em morte natural, evitamos a todo custo o assunto suicídio.

A dor do suicídio é difícil de administrar, porque o assassino e a vítima estão na mesma pessoa!

Os sentimentos são intercalados entre compaixão e raiva.

E aqueles que estão bem próximos sofrem a dor da perda e a angústia da culpa.

Onde foi que eu errei? É a pergunta que parentes e profissionais próximos fazem

Obs: Na série 13 reasons why percebe-se um jogar a culpa no outro.

O que aconteceu?

Um assunto nunca falado de repente foi escancarado nas redes sociais.

O que tem de positivo nisto?

Em muitos meios o assunto está sendo ventilado e discutido.

E A MELHOR MANEIRA DE SE EVITAR E SE PREVENIR A RESPEITO DO SUICÍDIO É CONVERSAR SOBRE O ASSUNTO E NÃO PROIBIR OU NUNCA ABORDAR.

PERGUNTA:

Você conhece alguém que se matou?

Por que você acha que esta pessoa se matou?

CONSIDERAÇÕES SOBRE SUICÍDIO:

1 – Suicídio pode ser a resposta a determinada situação. Mas não é a única.

Os colegas de Hannah, também tiveram experiências doloridas e acharam outra forma de responder. Pode-se conversar, brigar, denunciar, afastar, buscar ajuda com pessoas for do contexto em que se vive…

 

2 – A morte por suicídio não é solução para problemas difíceis. É apenas um jeito de transferir o problema para outros.

O melhor caminho de solução para uma dificuldade é encarar a dificuldade e pedir ajuda. É bem melhor do que simplesmente sair de cena.

Suicídio levanta muito mais problemas… Então não é uma solução inteligente.

Menino de 11ª, que viu o ultimo capitulo da série.

Perguntei: O que vc achou? Ele respondeu: Ela não foi muito inteligente…

3 – A possibilidade da morte como suicídio começa com o desejo de morrer (ideação) e pode ir se desenvolvendo até o planejamento de dar cabo a própria vida.

Há personagens na Bíblia que tiveram o desejo de morrer. Mas não se mataram:

Moisés: Numeros 11. 11 a 15 – Quando percebeu o peso de ser líder de um povo.

Elias: I Reis 19.4 Quando recebeu um ultimato para deixar o país, com risco de perder a vida.

Jó:  3.11 e  6.8e9 – Jó quando perdeu bens, os filhos e a saúde…

Cristo: Mc 14.34 – Quando percebeu que o caminho da cruz seria dolorido demais.

Nenhum destes percorreram o caminho que leva ao suicídio.

O que é necessário, para que busquemos outras alternativas?

Hannah fala em mais de um episódio que ela se sente só e invisível.

Então pode existir uma gama de sentimentos e percepções de si mesmo que podem deixar uma pessoa vulnerável no trato com os problemas e as maldades da vida.

Algumas perguntas podem ajudar a avaliar como você se vê.

Eu me sinto amado e querido?

Sou importante para alguém?

Eu me vejo com algum valor?

Quais situações e coisas da minha vida de que não gosto?

 

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GENTE QUE FAZ DIFERENÇA

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MINHA GRATIDÃO

Era um dia quente de sol. Levantei as quatro horas da manhã, tomei o café simples com pão caseiro e em companhia do meu pai rumei para a plantação de feijão para carpir todo o mato que teimava em querer sufocar cada um dos pés de feijão que brotava da terra. A tarefa era árdua e cansativa. O dia parecia ter muitas horas a mais que vinte e quatro horas. E as horas pareciam intermináveis. Depois do meio dia o sol era escaldante e as quatro da tarde, quando enfim poderíamos ir para casa, demorava demais para chegar.

Assim era minha vida aos doze anos!

Mas neste dia lá pelas onze vimos uma figura que vinha caminhando pela estrada em direção ao lugar em que estávamos. Quem seria a tão honrosa visita? Coisa difícil de acontecer naquele local. Não era o dono das terras. Não era nenhum parente. Quem poderia ser?

A medida que o espaço entre o caminhante e meu pai diminuía começamos a identificar. Era o pastor responsável pela igreja onde íamos aos domingos cultuar o Deus da Bíblia, que eu já tinha aprendido a crer que Ele existia. Surpresa total. E meu coração batia mais forte diante da expectativa sobre qual assunto faria com que aquele homem deixasse a cidade, pegasse um ônibus e viesse até aquele local, ao meu ver perdido no mundo.

Fazia um tempo, meu pai tinha pedido ajuda, para que alguma família me recebesse para que eu pudesse continuar meus estudos. Na época o que chamamos hoje fundamental II. Mas na ocasião, depois de procurar, o pastor não viu como me ajudar. Nem ele, nem qualquer outra família da comunidade religiosa.

Naquele dia o pastor veio até nós para perguntar ao meu pai se eu ainda queria continuar meus estudos. Meu pai, homem de visão e destituído de qualquer traço de machismo, disse que sim. E naquela tarde foi combinado que no final de semana eu iria morar na casa do pastor, ajudar com as quatro crianças e estudar a noite.

Meus dias de agricultora e também de escassez de recursos, acabaram naquela semana. Descobri várias frutas e alimentos que até então não conhecia. Mais brincava com as quatro crianças do casal, do que trabalhava. E ainda dormia na biblioteca da casa, onde delirava entre os livros que escolhia para ler, até desmaiar de sono e de cansaço.

Ontem foi a comemoração de noventa anos, de cada um deles (com a diferença apenas de alguns dias entre um e outro). Eu fui para a comemoração. E enquanto estava lá a emoção tomou conta do meu coração várias vezes, ao relembrar minha trajetória na vida, iniciada na casa deles. Hoje posso avaliar a coragem deste casal em correr riscos, em investir na minha vida, e em escolher me amar mesmo quando meu comportamento não foi adequado, acreditando nas minhas transformações.

Serei para sempre grata aos dois, e espero que este depoimento possa servir de estimulo a muitos que abrem mão de tanto e investem naqueles que nada tem.

Muito, mas muito obrigada mesmo ao casal Salovi e Cenyra Bernardo.

PARABÉNS PELOS NOVENTA ANOS!

MINHA VIDA: Sétima década

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De 2007 a 2017

Muito aprendizado e novos ganhos!

Nesta década a alegria de ser avó foi ampliada. Chegaram mais quatro netos. E desta vez duas meninas. E cada um conquistou meu coração com o próprio jeito especial de ser! Gosto e amo cada um de jeitos diferentes. Mas tento ser justa com todos.  As vezes consigo…

Perdi mais uma parte do meu corpo. Meus cristalinos embaçados pela catarata, foram substituídos por lentes. E depois de 50 anos aposentei meus óculos! Heheheh!!!

Fizemos muitas viagens. Para dentro e para fora do país!

Na área espiritual, aprendi a experimentar a leveza do fardo e a suavidade do jugo de Cristo, como ele mesmo prometeu. O cristianismo autentico liberta. Quando volto a ler o evangelho é porque sinto saudades de rever novamente a vida de Cristo.

Algumas coisas doloridas e difíceis atravessaram minha vida, sem meu desejo e planejamento. Tive que me adaptar mais que uma vez a realidades que eu não esperava. Mas tenho escolhido ser a boa parte do inesperado dolorido que atravessa minha vida.

Esqueço algumas coisas que não deveria esquecer, mas percebo que há espaço para novos conteúdos! Há detalhes da natureza e aspectos da vida que só dá pra perceber e desfrutar depois que já se viveu meio século.

Década de muito aprendizado!

Joguei fora velhos conceitos que não me servem mais e “realidades” distorcidas que me impediam de ver com compaixão a mim mesma e ao outro. Mudei o roteiro do meu script de vida várias vezes.

Encarei minha finitude, mas prefiro viver do que ficar esperando a morte. Ela terá que me surpreender! E creio na ressurreição!

Aprendi:

Que na velhice as limitações vão acontecendo, mas é possível enxergar, ver e sentir muito mais que antes, mesmo que algum dos órgãos do sentido já estejam embotando.

Que sinto dores todos os dias. Algumas novas a medida que o tempo passa. Mas falar sobre elas não faz com que desapareçam! Há assuntos bem mais empolgantes!

Que as rugas carregam histórias!

Que é mais fácil cuidar do “fora” do que reformar “dentro”!

Que lágrimas se derramam pelos meus olhos, incontrolavelmente, quando vejo ou escuto sobre perdas e dor…

Que me emociono muito quando recebo afeto e aprovação. Pode ser de uma criança, de um homem, ou de qualquer pessoa que me vê…

Que ouvir é muito mais  importante que falar…Cada dia que passa falo menos…

Que para quem não quer eu não tenho nada pra dar;

Que para quem não quer ouvir, eu não tenho nada pra falar.

Que o que você faz marca muito mais do que o que você fala.

Que os que estão bem perto, muitas vezes são os primeiros a desprezar o seu saber…

Que é sofrido demais ver as escolhas feitas que trarão tantas dores, que familiares e pessoas queridas vão fazendo.

É preciso aguentar a dor da impotência de não conseguir impor nada, mesmo que, esteja certa, e seja para o bem do outro.

E é preciso ter estrutura física, mental e psicológica para aguentar os danos que virão para os queridos, que poderiam ser ter sido evitados…

Que gosto muito de crianças e jovens! E muitos deles gostam de mim!

Que gosto de viver!

Que ainda tenho sonhos! Vários! Mesmo reconhecendo que a maior parte da jornada da vida eu já vivi.

Que a morte tem pouco poder. Ela pode destruir o corpo que tenho aqui, mas não consegue destruir o que vou deixando nos corações e vida de outros.

Privilégio, fazer 70 anos!

MINHA VIDA: Sexta década

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De 1997 a 2006

Década marcada por muitos ganhos e muitas perdas!

Casamento dos filhos. Experiência linda de vê-los sair para cuidar da própria vida. De receber como “filhos” nora e genro.

Construção da casa na montanha! Nunca pensei que um dia teria duas casas, por causa do trabalho que dá no cuidado e preservação.Tenho duas casas e bastante trabalho. Mas amo, as duas!

Nascimento dos três primeiros netos. Delícia pura! Prazer indefinível! Cansaço e alegria. Ao mesmo tempo!

Convite da Editora Vida, para escrever, e “nascem” os três primeiros livros: Ressurreição Interior; Raiva; seu bem, seu mal e Depressão: tem luz no fim do túnel!

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Filho morando no exterior.

Tive muitos ganhos na vida e muitas perdas no meu corpo. Fui submetida a uma histerectomia (extração do útero e ovários) e algum tempo depois retirada da vesícula.  Experimentei fundo o vazio na alma, que a retirada de órgãos do corpo pode deixar. Lidei mais uma vez com a depressão e a tristeza de perder algo no e do corpo. Mas também descobri que o vazio do corpo pode alargar outros espaços. Principalmente o espaço dos relacionamentos.

Foi nesta década que elaborei todas as perdas que o envelhecer vai trazendo. Mas resolvi encarar cada passo do envelhecer. Fiz a despedida da força e da beleza da juventude. O que já fui ficou nas fotos. O que tenho está aqui e há muito o que fazer além dos atributos dos jovens. Decidi assumir as rugas; cada uma tem sua história. Assumi também as gordurinhas que a mudança do metabolismo vai trazendo, sem me entregar ao sedentarismo. Minha alimentação tem bem menos comida, mas com muito mais qualidade. O comer e beber perde muito da sua importância e outras prioridades entram no lugar. Tenho mais prazer em ver um filme do que gastar tempo no preparo ou na espera de uma alimentação.

Aproveitamos muito da nossa casa na montanha. Nesta casa tivemos encontros significativos: Grupos de Encontro psicoterapêuticos; grupos de amigos; grupos de casais e muitos ajuntamentos de família. Os natais com os netos ganharam forma e agora fazem parte da convivência familiar.

No último ano desta década fizemos a primeira longa viagem para a Europa. Trinta dias. De uma tacada só, Suécia, Estônia, França e Espanha. Cada país com seus detalhes e suas características.

Descobri que gosto de história. Fiquei impactada ao ver de perto quanta destruição que uma guerra faz. E muito impressionada com a capacidade que alguns países, como a Estônia tem em recomeçar do zero e refazer o que foi destruído.

Gosto de paisagens. Com montanhas, com gelo, com água, com pontes, com o pôr e o nascer do sol! Minhas fotos têm poucas pessoas e muita paisagem!

MINHA VIDA: Quinta década

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De 1987 a 1996

Casa nova. Vizinhos novos.

Nova rotina de idas e vindas.

Tudo novo. Tudo diferente.

Mas sou do tipo que me desapego logo. Por causa das muitas mudanças de casa na minha vida deixo para trás com muita dor, mas deixo, o que já não me pertence e me apego ao novo com unhas e dentes. E assim desfrutava de cada novidade.

Até que nossa casa foi arrombada e saqueada por duas vezes em menos de um mês, enquanto estávamos fora. Tensão, taquicardia, radar da apreensão ligado. Medo de sair e medo de entrar em casa…

Mudamos para um apartamento. Vigésimo quarto andar!  Era estranho. Sentia-me aprisionada. Mas da altura que estávamos tínhamos uma vista maravilhosa para a represa Guarapiranga! Era um colírio para meus olhos e um balsamo para meu coração. Todos os dias. Acho que de todos os lugares que morei este foi o de visual mais lindo!

Filhos crescendo e entrando na adolescência. Cada dia um novo desafio. Quem tem adolescentes, não tem rotina!

Com mais tempo disponível fui trabalhar por quatro horas diárias na mesma Comunidade onde, meu marido, era o administrador

Dedicação com muito afinco, como voluntaria, ao trabalho com grupos pequenos, congressos e aconselhamento feminino numa comunidade religiosa que tinha a frequência de mais de 500 mulheres.

Novamente descobri a dor do preconceito e da descriminação por ser líder e mulher. Na comunicação da forma diferente como eu via, era zero em assertividade (até hoje, minha nota é baixa…rs), entendi que o melhor era calar e continuar apenas naquilo que entendia que era um caminho possível no mundo masculino.

Algumas pessoas me decepcionaram muito. Vi-me ferida e em algumas situações muito dolorida! O sentimento era de injustiça. Não conseguia compreender porque meu potencial e talentos não eram aceitos para toda a comunidade. Mas entendi claramente que o tratamento que recebia não tinha nada a ver nem com a fé, e muito menos com o Deus que eu acredito. Depois desta clareza fiz o que me foi permitido fazer com alegria e contentamento.

Por outro lado, lindamente, muitas outras pessoas, homens e mulheres foram amorosos, generosos e bondosos para comigo e para com minha família. Não me faltou nada. Nem material, nem emocional e nem espiritual!

Filhos saindo de casa para estudar fora do país, numa época, sem WhatsApp, sem Skype e com ligações telefônicas caríssimas. Ainda guardo alguma das cartas dos meus filhos de quando moraram fora.

De repente recebo a um baita presente. A maior surpresa da vida. Uma família que me procurou para aconselhamento viu meu talento e facilidade nesta área e me presenteou com o pagamento dos cinco anos de faculdade de psicologia, caso eu passasse no vestibular.  Fiquei com medo, chorei, mas passeie encarei a faculdade de psicologia com muito esforço e afinco e consegui tirar de letra!

Morte do meu pai. Senti muito a partida dele. Meu pai marcou muito minha vida principalmente, porque era um homem simples, mas nunca foi machista. E num contexto de cultura nordestina onde só os meninos estudavam, ele decidiu e determinou que suas filhas não seriam analfabetas.

Ganhamos novos filhos. Hospedamos dois americanos. O primeiro por um ano; o segundo por ano e meio. E hospedamos também um coreano por três meses. Um sobrinho veio morar na minha casa por algum tempo. E quando menos esperamos, concordamos em cuidar e dar o melhor para uma garota de 14 anos, que não podia mais ficar na companhia da mãe e do padrasto. Hoje ela não tem nosso DNA, nem nosso sobrenome mas se tornou nossa filha!

Nesta década aconteceu mais um tempo de muitas descobertas a respeito d´eu mesma. Por uma exigência da faculdade de psicologia, fui para a psicoterapia semanal. E a partir do processo psicoterapêutico pude perceber o quanto eu apresentava uma imagem de forte para disfarçar todo o meu lado frágil, sensível e carente. Aprendi a gostar de mim forte/frágil; frágil/forte! Deixei de ser só “metade”¹

Filhos de volta. Faculdade de um deles e a minha. Estágios e mais estágios e finalmente as universidades, concluídas. Recebi meu diploma de licenciatura em psicologia e especialização para atendimento clinico, exatamente no mês em que fiz 50 anos.

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Foto atual de parte da sala onde trabalho e passo a maior parte do meu tempo.

Fui convidada a deixar o voluntariado que fazia na igreja e dei início ao que considero, a atividade mais nobre da minha vida, atendimento clinico em psicoterapia, no meu consultório!

Mais uma mudança. Meu marido, para facilitar minha vida , porque eu já trabalhava na Vila Mariana resolveu procurar um apto mais perto do meu trabalho e que nos favorecesse na velhice. E encontrou. Compramos!

De Interlagos para Vila Mariana. Na boca do metrô. De um lugar cheio de verde para a muvuca da Rua Domingos de Morais. Novamente tive que avaliar: vantagens e desvantagens. E decidi desfrutar das vantagens. A vista do Parque Ibirapuera. Ao longe, no Bairro Morumbi a vista do Palácio do governo. (Hoje com a construção de tantos prédios nossa vista foi quase toda interditada.) Era só descer no térreo do prédio e qualquer coisa que eu precisasse estava a meu alcance com apenas alguns passos: farmácia, supermercado, lojas, restaurantes, cafeterias etc.

Amo este lugar! E acho que desta moradia, eu só saio para a última viagem da vida. Pela morte.

MINHA VIDA: Quarta década

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De 1977 a 1986

Filhos pequenos. Muito tempo gasto com eles. Passeios, alimentação, brincadeiras e o início da vida escolar; doencinhas, idas ao pediatra, ortodentista; natação e etc. etc. Sem contar os acidentes infantis: braço quebrado, cotonete furando o ouvido, língua cortada… Dormir quando eles dormem. Nem sempre comer…Cinema, jantar fora e passeios a sós muitas vezes ficaram para depois…Cultivamos amizades neste tempo de filhos ainda pequenos e fizemos amigos que permanecem até hoje.

Mudamos de cidade. Fomos para uma casa maior, com quintal, árvores, coelhos e cachorro…

Eliel, meu marido, progredia e subia na escalada no mundo executivo.

Eu tinha todo o pique do mundo. Cuidava de todos os detalhes dos filhos: roupa, médico, lanche, tarefas escolares, levar e buscar nas escolas…no final do dia viajava 30km para estudar a noite, na Faculdade Teológica. Dormia depois da meia noite e as 06.30h estava em pé…Ufa!

Foi a década de muitas descobertas a respeito de mim mesmo. Algumas indicavam habilidades e talentos que tenho. Outras apontavam para minhas sombras. Situações e realidades dos anos já vividos, com muitos nós, que agora, no presente, eu precisava desatar, um por um. Caso contrário, a vida ficaria truncada.

Descobri que tinha muita habilidade para compartilhar alguma coisa aprendida, com mulheres, com jovens e com casais. Conseguia trazer lições da vida de Cristo para o cotidiano com muita facilidade. Mas também foi o tempo em que sofri as piores críticas da minha vida e me decepcionei muito com a instituição religiosa. Fui injustiçada e perseguida. Vi-me deprimida, por alguns meses, mas tudo isto só serviu para que experimentasse mais e mais do mistério da intimidade espiritual com Cristo. Experiência difícil de explicar, mas que foi real na minha vida e me tornou mais humana e compassiva.

Foi também a década da crise existencial. Afinal depois que se entra nos “entas” raramente se sai! E os quarenta estavam chegando!

Fiz dieta optando por uma alimentação saudável e pouco calórica. Perdi o pouco excesso de peso que tinha e voltei a ter o peso de solteira por muitos anos.

Voltamos da cidade pequena para onde morávamos antes: Santo André. Compramos uma nova casa, numa rua tranquila e sem saída, com a intenção de não mais sair dela. Mas tudo mudou em menos de um ano. Meu marido deixou de ser executivo e foi trabalhar numa instituição religiosa como administrador. Isto significou uma quebra grande nas nossas finanças. Caiu pela metade. Mas nossa crença era que, andar nos valores que acreditávamos e investir em pessoas valia mais que tudo.

No curso de teologia me especializei em aconselhamento.

Mudança de Santo André para São Paulo, bairro Interlagos.

MINHA VIDA – Terceira década

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De 1967 a 1976

Fui trabalhar nos escritórios do grupo Matarazzo, na Pça Patriarca, Viaduto do Chá, onde hoje funciona a prefeitura de Sampa.

Terminei o Técnico em Contabilidade, equivalente ao Ensino Médio, atual. Não tinha nada a ver comigo, mas era a única opção que eu tinha. Decidi gostar da oportunidade que tinha uma vez que não tinha como fazer o que gostava.

Casei-me aos 23 anos. Tudo novo: Casa nova e emprego novo de seis horas. Fui da primeira turma que fez o curso de perfuração, hoje, digitação, da IBM. E isto facilitou muito minha vida. Não faltava emprego e ainda ganhava muito bem fazendo extras em alguns dias. Fui trabalhar na Rhodia em Santo André.

Aos vinte e quatro tive um aborto espontâneo e experimentei na solidão, a dor de perder um filho, que era só embrião, mas doeu muito! Só quem passa sabe o vazio horroroso desta perda.

Com vinte e cinco tive meu primeiro filho. Era uma mãe chucra e inexperiente, mas me esforçava muito para dar o melhor para o meu menino. Nem sempre consegui, mas me dediquei bastante e experimentei o que é o inexplicável amor materno, onde se experimenta os sentimentos mais nobres e os mais temíveis.

Em 1973, quando fui convidada, pela Olga Colomietz, para receber e hospedar parte do grupo Jovens em Cristo , filho dos JOVENS DA VERDADE, (grupo de adolescentes e jovens que decidiram sair dos templos onde havia mais religiosidade do que vida crista verdadeira, indo pelas ruas se apresentando nas praças e locais públicos anunciando que Cristo faz diferença. Que Ele é muito mais que uma imagem, e muito mais influente que as regras expostas dentro de quatro paredes das igrejas.) e fui profundamente tocada por uma força, que chamamos Espirito Santo, a crer em Cristo como Redentor e Senhor. Não resisti. Olhei para os céus e disse: “Ok! Minha vida está aqui. Deus pode fazer de mim o que quiser!”

E daí para frente, experimentei uma mudança interior, que a cada dia me levava a crer mais. Reli a vida de Cristo, nos Evangelhos e foi como um novo balsamo para minha vida. Algumas mudanças visíveis para mim:

A morte deixou de ser um monstro;

Enxerguei meus vizinhos e as demais pessoas a minha volta;

Vi o quanto havia sido desamparada, ferida e injustiçada pela vida até então experimentada;

Vi o quanto de amargura e raiva eu carregava no coração;

Novos caminhos começaram a fazer parte do meu andar e descobri a delícia de viver, ser amada e amar! Nunca mais fui a mesma!!!

Morte da minha mãe. Com apenas 43 anos, numa cirurgia mal sucedida e com uma sequência de erros médicos, perdi aquela que me deu a vida e de quem herdei características fortes e marcantes!

Aos vinte e sete fui mãe pela segunda vez. Desta vez uma menina!eu-andre-cassia

Com o nascimento da segunda criança deixei o trabalho fora de casa para me dedicar mais ao cuidado dos filhos. Fui mãe com prazer e dedicação. Sacrifiquei muito de mim mesma, por escolha. Dei meu melhor e o que acreditava que seria melhor para minhas crianças. Nem tudo funcionou. Muito do que eu achei que era bom, quando eles cresceram fiquei sabendo que foi um mal…Mas espero um olhar amoroso dos meus filhos, para aquilo em que, sem querer, os feri.

Encantada com os mistérios da vida de Cristo fui para a Faculdade Teológica estudar na ânsia de saber mais quem é Cristo Jesus.

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