Encontrei Matilda depois de alguns anos de tê-la conhecido, numa das minhas viagens de férias. Qdo cheguei em sua casa, ela já foi dizendo: “Ah, por favor Esther, você pode deixar seus sapatos na entrada. Acho que tenho umas manias. Tudo que vem de fora eu limpo ou lavo para que a sujeira não entre dentro”.

Depois de trocar os sapatos por chinelos confortáveis, fiquei pensando nisto: “a sujeira que vem de fora que contamina dentro”.

Como conheço bem Matilda, sei que esta foi a dinâmica da sua vida. Para sobreviver e preservar sua saúde mental. De alguma forma ela encontrou um jeito de se proteger: mesmo criança, fez um filtro e coava tudo que chegava aos seus ouvidos e olhos, deixando de fora o que poderia mudar seu coração e sentimentos, ou contaminar a percepção que tinha de si mesma. Acho que com isto ela desenvolveu uma forma saudável de viver. Talvez o que ela não precisa agora que se tornou adulta, é de tanto desgaste e tempo limpando as possíveis sujeiras que vem de “fora”.

Não posso deixar de lembrar das palavras de Cristo, qdo se referiu a possíveis alimentos com alguma sujeira: “Nada que entre numa pessoa pode torná-la impura, porque não entra em seu coração, mas no estomago, sendo depois eliminado… o que sai, sim, pode torná-la impura porque vem do coração.” Mc7.18/19

Parece que como pessoas adultas nossa preocupação maior deve ser a limpeza dos conteúdos da nossa vida que se derramam de dentro para fora. Muitas vezes até sem que percebamos, mas que podem danificar tanto os outros como a nós mesmos!

Abraço.

21.jun.2008 – 10h59

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