Na cultura judaíca, não se fazia nada no sábado. E as pessoas mais próximas de Cristo, experimentaram neste dia o vazio da ausência. O “after day” depois da morte e do sepultamento.

Quem já passou pela perda de alguém próximo e querido sabe que o dia seguinte é um dos mais terríveis na existência de quem fica. É a hora da realidade. É o momento onde se belisca, o próprio corpo, para ver se não está vivendo apenas um pesadelo. É quando se faz necessário recorrer a todo e qualquer recurso, para encarar a realidade da dor aguda do silêncio mortal. É o tempo de lembrar de quem partiu, mas é também o tempo de olhar para si mesmo e se perceber e aguentar até o fim toda a dor da falta. Do nada. Da voz que ecoa no infinito até desaparecer totalmente! É o tempo do encontro com a mais terrível dor. A dor de ter permanecido, de ter sobrevivido e não ter partido junto!

Maria Madalena, Maria mãe de Jesus e mais algumas mulheres esperavam o dia terminar, a noite chegar e adentrar a madrugada. Ao nascer do novo dia elas seguiriam até o túmulo onde o corpo de Cristo fora depositado. Lá elas prestariam os últimos cuidados a Ele, que era tão amado e a quem elas eram agradecidas.

É um dia longo! As horas demoram a passar, como que dando mais tempo para o contato com o mais profundo do próprio ser e experimentar até o fim toda a dor dilacerante da realidade da despedida de quem não mais se terá a presença. Acabou!

O único consolo é a oportunidade de mais uma vez ver e tocar o corpo sem vida. Cuidar dele pela última vez e deixá-lo pronto para sempre no túmulo!

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