Beijos e Nós

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Para os que não sabem tenho quatro netos entre seis meses e sete anos.

Os dois maiores adoram passar o dia e dormir na minha casa. Em alguns dias da semana levanto muito cedo porque começo o meu dia no consultório as 8.00h. Então quando saio de casa eles ainda não acordaram. Fiz um trato com eles: Todas as vezes que ao se levantarem e forem vestir a roupa e alguma peça estiver com um nó é porque eu dei um beijo de despedida neles, acompanhado do “eu te amo”, mas eles não viram porque estavam dormindo. E assim faço. As vezes dou um nó na manga de uma camiseta, as vezes na perna da calça, e as vezes nas meias.

Segundo, as pessoas que os assistem quando não estou presente, eles ficam sorridentes quando descobrem alguma peça do vestuário com o nó, mesmo um pouco frustrados por saberem que eu já fui.

E o mais gratificante é quando eu volto a entrar em contato com eles e ouço a fala, com um ar de muita satisfação:

“Vovó, eu achei o nó da minha roupa. Eu também amo você.”

A menor, uma menina cheia de charme e linda, está mais distante, geograficamente, e ainda é um bebê, mas o caçula dos meninos, de três anos, é meu grudinho e sempre me pede colo e eu amo dar colo para ele, mesmo correndo o risco de prolongar por mais tempo a restauração dos ligamentos lesionados do meu joelho.

E sempre que nos visita, na hora em que ele precisa ir embora com os pais, passo um batom bem vermelho e beijo suas pequenas e fofas mãos. Ele já sabe, está indo embora levando meus beijos. Foi preciso fazer a primeira vez, para que ele sempre peça na hora de ir: “Vovó, quero levar seu beijo.” E, depois que eu dou o beijo, ele toma todo o cuidado para que a marca não saia das mãos!

É possível que eles esqueçam algumas de outras boas coisas, que faço para eles. Mas, com certeza, nunca se esquecerão dos NÓS nas roupas e dos BEIJOS nas mãos. 14 de junho 2009

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Do Complexo do Alemão a Sala VIP do Santos Dumont

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Era a última aula do final de um curso sobre Mediação de Conflitos.

A coordenação do curso convidou três palestrantes para o último encontro, naquele sábado. Entre eles lá estava um advogado que trabalhava como mediados num projeto do governo no complexo do Alemão. Ele deu seu depoimento contando sua experiência no contato tanto com os moradores como com os chefes do trafego de drogas naquela comunidade. Fiquei impressionada e muito mobilizada, diante mais uma vez da conscientização das injustiças sociais, tão acentuadas nesse nosso Brasil. Sai do curso disposta a participar mais de projetos tanto governamentais como do terceiro setor, e dar minha contribuição para um país melhor.

No dia seguinte, de volta para São Paulo, chegamos cedo demais no aeroporto. Então fomos para a sala vip, que tínhamos direito. Lá, estava a nossa disposição todo o conforto das salas Vips: cafés de vários tipos, chocolates, refrigerantes, lanches, sofás confortáveis, TV de último tipo e computadores. Desfrutei de tudo que deu vontade e tempo. Afinal já aprendi a viver tanto com pouco, como com muito. Mas não pude deixar de lembrar que no dia anterior eu ouvia a descrição da mais cruel miséria, e agora tinha a minha frente tantos supérfluos. Gostosos e gratificantes, mas boa parte desnecessária. Mais uma vez doeu em mim o tamanho das diferenças sociais do nosso Brasil.

Claro que igualdade social é utopia, mas também tanta diferença é crueldade demais!

Bem, da minha parte me disponho a cooperar para que estas diferenças diminuam.

Ainda não sei bem como. Quem sabe ajudando, financeiramente, alguma pessoa estudar?!

Escrevi em 28 de julho de 2009

Escrito por esther às 05h34 24-08-2010

Dormindo com os Livros!

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Na última quinta-feira um amigo me perguntou: “Desde quando você gosta de ler?”

Recorri a minha memória e descobri que não tinha uma marca de quando começou meu interesse por livros. Então respondi: “Desde sempre”. Como sexagenária, sou do tempo quando não havia ainda os veículos de comunicação que existem hoje. Além do mais, meus pais eram sem recursos financeiros e não tínhamos acesso nem aos meios possíveis da época: como TV, jornal, maquina de datilografia e telefone. Só tínhamos o rádio. E por meio deste eu descobri, muito pequena ainda, que existiam livros. E tinha um desejo desesperador para lê-los.

Aos nove anos pedi ao meu pai que me comprasse uma série de livros: Heróis Cristãos, que contava as histórias de homens e mulheres desbravadores motivados a espalhar pelo mundo, o amor e os princípios da fé crista. Os livros vieram pelo correio e demoraram quase dois meses, desde o meu pedido, via carta, até o dia em que meu pai pode ir buscá-los no correio, da cidade mais próxima – Padre Nóbrega. E me deliciei lendo e relendo os doze volumes.

A vida foi generosa para comigo. O pastor da comunidade religiosa que freqüentávamos viu o meu interesse em estudar e propôs para meu pai uma troca – eu moraria na casa dele, ajudaria com os quatro filhos e os serviços caseiros e em troca eu estudaria e eles cuidariam de mim. E assim foi que deixei os serviços da plantação de eucaliptos, juntei os poucos pertences que tinha e fui morar na cidade.

A casa não era muito grande. Tinha sala, copa, cozinha grande, escritório e dois quartos. Um dos quartos era ocupado elo casal, o outro pelas crianças. Então sobrou o escritório, onde numa caminha de armar eu dormia.

O maravilhoso é que neste escritório estava a biblioteca imensa do pastor. Que guardava desde seleções e revistas, até o livro por mais simples que fosse. Todas as noites, depois de chegar do colégio, por mais cansada que estivesse eu gastava algum tempo lendo algum livro. Como adolescente meu primeiro interesse foi sobre sexo. E li tudo que tinha disponível. Logo me interessei por psicologia e havia na biblioteca muita coisa sobre Freud e a psicanálise. Li tudo também. Chegou a vez da auto-ajuda: Li Dale Carnegie. Bem depois deste, fui lendo outros. Alguns com muito interesse, outros nem tanto.

Então, eu não sei quando começou meu interesse por leitura, mas sei que “dormir com os livros” com certeza despertou e cristalizou em mim o interesse que já tinha pela leitura.

Abraço.

14/12/2009

A Vida na Ressurreição

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Voltei a blogar e recomeço com este texto que me tocou muito. Penso que por diversas vezes na minha vida tive que sair da morte para a vida. Espero que seja de proveito para você também!

A BIOLOGIA DA RESSURREIÇÃO

Carlos Hernández (Psiquiatra Argentino)

(compilado por Talita A. Ribeiro e distribuído no boletim virtual aos participantes da Comunidade de Jesus, do Campo Belo- São Paulo)

A biologia da ressurreição tem a ver com uma visão menos limitada da vida. Não é como a biologia reducionista, onde o que nós vemos é o que está certo, aquilo em que acreditamos é que determina a nossa vida.

O que nós fazemos quando nos acontecem as coisas que não deveriam acontecer? Não suportamos que aconteça algo que não queríamos que acontecesse – “Se acontecer alguma coisa que eu não quero, não vivo!”.

Quais seriam as possibilidades que se abortaram com o fracasso? Quais as que se abriram? Como se perde o desfrute daquilo que vem depois do fracasso, por não se saber lidar com ele!

Jesus, no Getsêmani, experimenta o momento de radicalidade, da dor e da crise. “Pai, se for possível, passa de mim este cálice”. Mas a crise não é o final, e sim a porta por onde entra a vida. A ressurreição é a vida entrando pela fresta da morte pra dentro de nós.

Dizem os antropólogos que o nascimento é o acontecimento mais traumático que o ser humano experimenta em toda a sua vida. É um estresse de uma intensidade biológica incrível, imprescindível para o que iremos enfrentar a seguir, a vida. A criança é obrigada a atravessar um túnel apertado, onde é exercida uma grande pressão na sua cabeça, sua respiração é interrompida, muda a temperatura ambiente… O grito (choro) é o sinal da vida que chegou na criança. Ele é como uma ginástica, preparando o pulmão para respirar. Uma nova biologia, uma nova possibilidade espiritual.

O Salmo 131. 2 traz a imagem do nenezinho que perdeu o útero, mas encontrou consolo no seio de sua mãe: “…fiz calar e sossegar minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo”.

Com a biologia da ressurreição quero dizer que a vida é mais que a morte.

“Sem a ressurreição é vã a nossa fé”.