Era a última aula do final de um curso sobre Mediação de Conflitos.

A coordenação do curso convidou três palestrantes para o último encontro, naquele sábado. Entre eles lá estava um advogado que trabalhava como mediados num projeto do governo no complexo do Alemão. Ele deu seu depoimento contando sua experiência no contato tanto com os moradores como com os chefes do trafego de drogas naquela comunidade. Fiquei impressionada e muito mobilizada, diante mais uma vez da conscientização das injustiças sociais, tão acentuadas nesse nosso Brasil. Sai do curso disposta a participar mais de projetos tanto governamentais como do terceiro setor, e dar minha contribuição para um país melhor.

No dia seguinte, de volta para São Paulo, chegamos cedo demais no aeroporto. Então fomos para a sala vip, que tínhamos direito. Lá, estava a nossa disposição todo o conforto das salas Vips: cafés de vários tipos, chocolates, refrigerantes, lanches, sofás confortáveis, TV de último tipo e computadores. Desfrutei de tudo que deu vontade e tempo. Afinal já aprendi a viver tanto com pouco, como com muito. Mas não pude deixar de lembrar que no dia anterior eu ouvia a descrição da mais cruel miséria, e agora tinha a minha frente tantos supérfluos. Gostosos e gratificantes, mas boa parte desnecessária. Mais uma vez doeu em mim o tamanho das diferenças sociais do nosso Brasil.

Claro que igualdade social é utopia, mas também tanta diferença é crueldade demais!

Bem, da minha parte me disponho a cooperar para que estas diferenças diminuam.

Ainda não sei bem como. Quem sabe ajudando, financeiramente, alguma pessoa estudar?!

Escrevi em 28 de julho de 2009

Escrito por esther às 05h34 24-08-2010

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