Penso que em todo relacionamento é preciso saber quando, quanto e como aproximar e ou distanciar.
Tanto a proximidade como o afastamento, exagerados impedem a espontaneidade e o fortalecimento do vínculo, necessário num relacionamento.
Ficamos perto demais porque temos a ilusão de que somos poderosos para evitar que o outro nos deixe. E longe demais para protegermos a nós mesmos da dor da separação , caso ela venha acontecer. Temendo que uma despedida aconteça, nos despedimos antes da hora. É o nosso vazio e o nosso medo do estar só, que nos leva a ficarmos perto ou longe demais. Mas só quem experimenta a própria solidão e mergulha para dentro de si mesmo, terá recursos necessários para saber chegar e saber sair da presença do outro, mantendo a própria integridade.
Nos exageros do distanciamento há uma frieza e da proximidade um aprisionamento que não favorecem o clima necessário para sermos nós mesmos na presença do outro. As vezes revelando, as vezes ocultando um pouco daquilo que somos. Só podemos abrir a porta para entregar o que é nosso, se estivermos livres e prontos, também para fechar esta mesma porta quando for necessário.
As vezes sem revelar nada. Apenas ficando em silêncio, para evitar que as palavras obscureçam o que pode existir de mais sagrado numa interação: o encontro De duas almas. Enfim o encontro do que há de mistério em si mesmo com o que há de mistério no outro. E é no encontro que um segundo pode se eternizar, concebendo algo novo entre eu e outro, de tal forma que jamais seremos os mesmos! E é na distancia que percebemos melhor o que do outro nos enriquece e nos fertiliza!
Que tenhamos coragem para experimentar o estar só, de estar consigo mesmo, para depois sem medo manter o espaço fértil que solidifica um relacionamento.
Encerro este breve comentário repetindo as palavras de Khalil Gibran:

“Cantem e dancem juntos e sejam alegres,
mas permitam que cada um também seja sozinho.
Assim como estão isoladas as cordas de um alaúde,
Embora vibrem a mesma música.
E fique lado a lado,
Mas não próximos demais uns dos outros
Pois os pilares do templo ficam afastados,
E o carvalho e o cipreste
Não crescem à sobra um do outro.”

Abraço, bem de perto, para todos!

12/02/2010

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