Hoje amanheceu um dia lindíssimo aqui em Campos. Minha casa está entre as montanhas, numa altitude de quase 1.800m. Levantei animada e fui caminhar descendo e subindo pelos caminhos e ruas do bairro.

Lembrei-me então de um mês atrás quando caminhava com uma amiga em São Pedro, cidade do interior do Estado de São Paulo. O caminho também era íngreme e quando me dei conta, meu relógio Polar registrava a frequencia cardíaca, do meu coração, de 140 batimentos por minuto. Como já sou uma sexagenária, e não posso passar deste limite, eu disse: “Amiga, tenho que diminuir o passo. Meu coração vai sair pela boca, se continuar.” Ela, 10 anos mais nova que eu, riu e respondeu: “ Vamos caminhar como as mulas!” “Caminhar como as mulas?” Perguntei curiosa. Ela respondeu: “ Você já percebeu que as mulas quando sobem um caminho íngreme elas vão de um lado para o outro em viés. Desta forma elas dão passos a mais, mas se cansam muito menos.” Eu ouvia atentamente enquanto revirava a minha memória. Realmente lembrei-me da minha infância e também de filmes onde as mulas subiam as ladeiras em viés. Hum, eu achava que elas faziam isto porque eram burras. “Vamos experimentar?” Convidou minha amiga, interrompendo meus pensamentos. Topei na hora. E descobri que era quase a mesma coisa que andar num terreno plano. A frequencia dos meus batimentos cardíacos diminuiu, e meus joelhos, já com artrose, não reclamaram. Depois disto só ando as ladeiras de Campos do Jordão em viés. E dou conta de todas elas, sem problemas.

Mas não pude deixar de rir de mim mesma. Afinal, as mulas tem o que me ensinar!

Campos do Jordão, 10 de setembro de 2010

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