O olhar é o órgão dos sentidos que nos dá a oportunidade de entrarmos em contato com muitas coisas ao mesmo tempo. Por isso posso dizer sem medo de errar que olhamos muitas coisas e enxergamos tão pouco. Daqui, da janela de onde escrevo, posso ver o mar, o céu o morro, algumas árvores, pessoas e carros. Se eu quiser enxergar, preciso selecionar algo e fixar minha atenção e através do olhar um pouco mais demorado, perceber detalhes que ajudarão a memorização do objeto mirado. E fazer isto é uma decisão. É uma escolha entre tantas coisas do que quero realmente olhar e enxergar.

Quando estou com uma criança o que realmente vejo? Quando saio para um passeio a pé, onde coloco meu olhar? Presto atenção no que existe em volta da minha moradia? Enxergo o que existe no meu ambiente? Enxergo os vários tons de verdes da natureza? Consigo ver o colorido intenso das pequenas flores?

Muitos perderam sua capacidade de enxergar quando crianças porque viam, expressavam e eram criticados pelos adultos, pela curiosidade, que é um sinal de inteligência, sendo chamados de xeretas. Outros porque viam e percebiam algum sentimento, com o qual não sabiam lidar, resolveram então não olhar e conservar o próprio conforto. Bloquearam o enxergar.

Lembro-me de um teste de observação de um professor. Ele deu uma noz para cada aluno e pediu que escrevêssemos um minuto sobre o que víamos. Quando terminamos, ele pediu que o fizéssemos por mais cinco minutos. Quando terminou os cinco minutos e todos pensaram que já estavam livres, ele pediu novamente, que a noz fosse observada e descrita por mais 30 minutos. As descrições resultantes deste tempo foram cheias de detalhes jamais observados pelos apressados!

É o olhar que enxerga o que vê e enxerga também o que não vê. Enxerga o que está fora e enxerga o que está dentro.

Quando resgatamos a capacidade de enxergar conseguiremos ver também quem de verdade somos. Tanto no positivo como no negativo. E podemos perpetuar as boas coisas que temos e mudar aquelas que não queremos mais.

Cristo Jesus, é o modelo. Ele vê os lírios dos campos, vê a semente de mostarda, vê as crianças, vê os deficientes, vê a fome da multidão e vê o arrependimento da prostituta. Seu olhar encontra o os olhos de Pedro, que depois do encontro chora amargamente e acha o caminho e volta.

Que o nosso olhar possa enxergar tudo aquilo que enriquece nosso coração e possa também ver o outro nas suas verdadeiras necessidades!

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