Os Limites da Vida (Tributo a uma amiga)

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Nesta semana reencontrei uma amiga. Amiga querida a quem sou muito grata.

Com ela aprendi a receber bem as pessoas, na minha casa. Aprendi a deixar os hóspedes livres e a vontade. Aprendi a servi-los bem na medida do possível. Aprendi que hospedar é trabalhoso, se gasta mais dinheiro, tempo e energia. Mas também se conhece melhor e estreita os laços de amizade criando uma atmosfera de mais intimidade. Aprendi a cuidar mais de mim mesma. A me vestir melhor, sem gastos exagerados, que possam comprometer meus compromissos financeiros. Aprendi a ser mais sensível e investir em pessoas. Ela investiu em minha própria vida. E não mediu esforços e sacrifícios para que eu tivesse uma formação universitária (na minha adolescência eu estava trabalhando para sobreviver) de acordo com minha vocação. Por causa disto posso viver melhor nos dias atuais. Enfim, esta é uma amiga que muito me deu e muito me influenciou.

Chorei muito neste reencontro. Ainda choro quando me lembro. Ela sofreu um derrame e teve muito de sua visão comprometida. Não sei qual é a porcentagem da sua perda, mas é muito mesmo. Na reunião do nosso reencontro ela relatou com desespero e agonia seu desejo de voltar a ver. E contou-nos sua dificuldade daquele dia: precisava caminhar num pedaço de calçada que era todo irregular, com muitas saliências. Ela estava só e não conseguia enxergar. Chamou pelo marido que não pode socorrê-la; chamou por uma amiga que não teve condições de atendê-la ao telefone. Enfim ela teve que devagar percorrer todo aquele trajeto, mesmo com o pavor de cair. Em casa, trombou com a moça que a auxilia nos serviços caseiros e bateu de frente com uma parede.

Não estou escrevendo porque vejo minha amiga como uma coitada. Não vejo assim, mas a vejo com alguém vítima das limitações que o envelhecer vai trazendo exigindo de cada um, uma readaptação na vida. Minha amiga ainda tem muitas coisas vivas e é só com estas que ela pode viver e ainda desfrutar algo da vida. Ela tem descoberto que precisa depender. Que já não pode sair sozinha. Que vai precisar de bengala. (E ela é tão elegante que com certeza a bengala dela será a mais linda). A não ser que aconteça mais um milagre dos céus na terra. E pode acontecer.Mas escrevo porque seu relato e sua necessidade em se adaptar a nova situação onde sua visão está limitada, me levou a revisar toda minha vida. Melhor, me levou a olhar de perto meus limites, hoje. O quanto terei que me adaptar. Já tenho. O quanto terei que lidar com a solidão. Às vezes tão real nesta fase da vida, quando os mais jovens, inclusive os filhos e parentes próximos, simplesmente cuidam da própria vida. Às vezes, é só uma sensação do só dentro da alma que também dói até chegar as lágrimas.

Muito obrigada, amiga. Você continua me ensinando e com isto, ao contrário do que está acontecendo na realidade do seu corpo, você vai ficando cada vez mais viva no meu coração e na minha memória.

Escrevi o texto acima em 15 de maio de 2011. Hoje, 22 de fevereiro de 2016, a minha amiga, Neide Dudus Spacov, nos deixou. Quer dizer, não teremos o seu corpo entre nós, mas terei  para sempre  presença dela no meu coração e na minha memória. 

E por providencia divina, coube a mim passar com ela, como acompanhante na UTI, as ultimas horas da sua vida aqui. Presenciei e participei da sua agonia. Nenhuma posição na cama, onde se submetia a hemodialise, era confortável. Eu queria ajudar. Queria diminuir sua angustia. Ela se agoniava pela falencia, agora acelerada, de todos seus órgãos vitais eu me agoniava pela impotência de fazer tão pouco. Acariciei sua testa, sua cabeça e ela expressou: “Gostoso!”  Então falei o que veio no meu coração: “Neide você está indo para CASA. Tenta se acalmar. Se você conseguir se acalmar você chegará bem mais rápido e la na CASA todo este mal estar terá fim.” Ela acenou, afirmativamente, com a cabeça. E como era chegada o termino do tempo que me foi permitido ficar ali, me despedi e sai.

Duas horas depois, recebo a notícia de que eu tinha sido a ultima pessoa do circulo de amigos e parentes, que tinha estado com ela ainda em vida. 

Ela foi, mas deixou em mim muito dela. e eu só posso dizer entre lágrimas: “Aguarde por mim. Logo eu chego ai na CASA…

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Todas as Mães. Todos os Dias!

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Não gosto muito de dias específicos. Reconheço que é uma forma de fazer com que determinadas classes, raças ou pessoas ganhem um lugar nos corações e no mundo. Mas no caso do dia das mães o que virou mesmo foi um baita “comércio”. Mas mesmo assim, nesta semana não pude deixar de pensar em cada situação onde uma mãe pode ser encontrada.

Quero louvar antes de tudo minha mãe. Uma adolescente que com apenas 16 anos, me gerou e me deu à luz. E carrego muitas qualidades positivas que herdei dela.

Quero louvar também as mães dos meus netos. Cassia, Carla e Betania, que cuidam das preciosidades que me dão tanto amor e alegria.

E agora quero louvar as mães que: · na ausência e muitas vezes negligência dos pais, assumem o cuidado, a educação e o sustento dos filhos, fazendo as funções do homem sem deixar de lado a função maternal.

Quero louvar aquelas mulheres que: se dispuseram a cuidar e amaternar o filho de outra, que não geraram, mas os assume como se fossem seus. E aquela criança passa a fazer parte do seu próprio ser.

Quero agradecer: · aquelas que engravidaram e levaram a gestação até o fim, entregando os para a adoção. Carregaram em seus ventres, bebês, com os quais não conviveriam e delegaram para outra mulher todo o cuidado materno.

Quero chorar com aquelas que: ·

  • engravidaram, mas o feto não evoluiu e naturalmente deixou o conforto do útero antes mesmo de ter todas suas células desenvolvidas. A frustração de não ter nada, onde deveria ter um bebê, se transforma numa tristeza horrorosa que ninguém entende. Só quem já passou por esta situação sabe da verdade dolorida.
  • engravidaram e por uma razão ou outra tiveram que interromper a gestação. Muitas destas carregam dentro de si a dor de não se perdoar e se castigam tentando aliviar a dor da culpa. · Perderam seus filhos precocemente. Essa é uma dor inexplicável. Mãe não foi feita para ver um filho morrer. Sofrimento sem igual.
  • perderam seus filhos de forma trágica. Muitas vezes violentados. Mãe que perde um filho, pela morte, carrega dentro de si um vazio para o resto da vida
  • seus filhos desapareceram misteriosamente. Nunca mais deram notícias. Estas, em geral, experimentam agonia da não despedida e o desespero da esperança que se frustra a cada dia que passa e o filho, ou filha, não aparece.

Quero me alegrar com todas aquelas que: geraram, amaternaram e criaram, se dedicando de corpo e alma para a formação de um filho ou filha, até se tornar adulto.

Que o Deus Todo Poderoso possa derramar no coração das que sofrem, consolo; das que lutam, entusiasmo e ânimo; das que fraquejam, amor e amparo; das que erram, perdão e acolhimento; e para todas Sua graça e sabedoria. Todos os dias.

Maria, a Mãe do Salvador

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De todas as mães, a que mais me comove, quando paro para meditar na misteriosa função de ser mãe, é Maria, a mãe de Jesus. Não a endeuso, como fazem parte dos cristãos mas também não a coloco entre as mulheres s comuns, como fazem outros cristãos. Ela foi realmente a bem aventurada. Mas penso que poucas mães sofreram tanto como Maria. Grávida, solteira e sem se relacionar sexualmente com seu noivo. Foi alvo da desconfiança de José e desconfio que muita gente a difamou por “engravidar” antes de casar. Quando Cristo ainda bebê, Herodes decretou que todos os meninos abaixo de dois anos fossem mortos. Maria e José, orientados por divina providência fugiram para o Egito, para preservar o menino. Mas imagino que Maria não descuidou um minuto do seu filhinho até que Herodes fosse morto. E finalmente, viu seu filho condenado a morte de cruz, como se fosse um bandido. Maria ficou presente na crucificação até o fim. Posso imaginar sua desolação, mesmo sabendo que era mãe do Redentor. Uma das últimas frases, proferidas por Cristo na cruz, foi o pedido para que João cuidasse de Maria. Imagino que esta preocupação do filho, morrendo na cruz trouxe alento ao seu coração.

Maria, a mãe que soube o que é sofrer!