Li no blog do Renato Vargens sobre a tristeza dele quando soube que crianças em Burundi comem grama.

Rapidamente me veio a mente que está realidade é também brasileira. Enquanto, uma pequena porcentagem de pessoas (que no Brasil são milhões) dorme em “berço de ouro”, outras crianças, vivem na mais terrível miséria. Não pude deixar de lembrar a minha infância.

Meu pai era um homem trabalhador, minha mãe uma mulher guerreira, mas o dinheiro que entrava na minha casa, mal dava para o açúcar e farinha de trigo. Tínhamos quase nada. Apenas os alimentos e algumas frutas que dava na terra que meu pai cultivava plantando eucaliptos para os fazendeiros.

Nunca passei fome, mas meu corpo tinha necessidades que os alimentos ingeridos não supriam. Então, muitas vezes eu comi cal das paredes; roí ossos secos e mais que uma vez comi terra. Na vida adulta descobri que cal e ossos possuem cálcio; e a terra tem nutrientes que o corpo aproveita. Mas eu comia porque a miséria era demais e meu corpo em crescimento buscava onde suprir tais necessidades!

Um casal me viu, quando era tinha apenas 13 anos, e se encheram de compaixão. Fui morar na casa deles. Eles providenciaram escola para que eu continuasse a estudar e eu ajudava no cuidado com os filhos do casal. Estudei e ainda estudo. Hoje vivo bem. Trabalho e posso escolher o que comer.

Que meu coração sempre tenha gratidão para este casal. E que sempre se abra para ajudar tantas outras crianças a não buscarem nutrientes que o corpo precisa na grama e nos ossos secos.

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