“A maternidade cansa muito”. Falou uma mulher jovem de 30 anos, que estava cuidando da filha de 1 ano. Cuidar de uma criança de um ano é muito cansativo, mesmo. Mas dava para perceber que além do cansaço normal e legítimo que uma criança causa, havia naquele relato muito mais que apenas cansaço físico. “Como é este seu cansaço?” Perguntei e ouvi o relato. “É uma sensação de vazio.  É como se algo faltasse em mim. Quando sento no chão para brincar com minha filha é como se eu não tivesse nada para oferecer e parece que tenho que dar o que não tenho”. Eu já conhecia a história desta mulher que vou chamar de Hanna. Ela era uma pessoa amorosa e escolheu conscientemente engravidar e queria cuidar bem da sua filha. E estava perplexa porque amaternar estava lhe trazendo muito sofrimento. Mas Hanna entendeu com rapidez que o sofrimento que esta sendo pesado não era o físico, que ela resolvia descansando enquanto uma ajudante cuidava da sua filhinha. Também não era o preço de ter escolhido abrir mão de algumas coisas na vida enquanto sua menina fosse pequena. O que estava insuportável era a dor das privações sofridas na sua história de vida.

Toda e qualquer criança precisa de cuidados, de proteção, de aconchego e de presença humana. Quando isto não acontece, por providência divina, a criança constrói, mesmo sem perceber, uma defesa, para sobreviver a privação. Hanna, tomou consciência de tudo isto e percebeu que a medida que amaternava sua filha, suas defesas desmoronavam e as dores pessoais das faltas que tivera, se descobriam. E além de serem insuportáveis, estas dores se apresentavam obscurecendo o prazer, que também tinha, em cuidar do seu rebento. Era este o cansaço que pesava demais. Entristecia e deprimia.

E agora, já adulta, só tinha um jeito. Hanna teria que amaternar a si mesma, cuidando tanto de si como da sua filha.

A medida que resolvemos nosso sofrimento decorrente das privações sofridas teremos mais recursos emocionais para cuidar adequadamente de nossos filhos.

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