REI DA PALAVRA – Leandro Léo

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Tem que saber calar…

Ontem, quando voltamos para São Paulo, sábado a noite, pegamos um congestionamento antes do túnel do Anhangabaú. Como carro nenhum saia do lugar, eu e meu marido resolvemos ouvir músicas e ligamos o rádio na Nova Brasil. E olha a preciosidade que descobrimos. De ontem para cá, já ouvi meia dúzia de vezes. E, claro, lembrei, principalmente, das situações em que falei o indevido ou falei o certo na hora errada. Não pude deixar também de lembrar de pessoas tão queridas, que estão bem próximas a mim, e que não vacilam em ferir com palavras pontiagudas. E, claro, lembrei também daqueles que acham que tem que falar tudo que vem na cabeça. E lembre ainda daqueles que não conseguem silenciar. Ai vai, a canção me tocou tanto:

Rei da Palavra

Leandro Léo

Quantas palavras lindas e gordas
Vão se derramar em vão?
Sem que se saiba para o que servem
Ou para aonde vão
Para um brilhante colar de palavras
Que só faz pesar
Às vezes o rei da língua e da lábia
Tem que saber calarQuantas palavras fortes e doídas
Vão se debruçar sobre alguém
Reabrindo velhas feridas
Que já cicatrizavam bem
Cheias de vã certezas
De tanta coesão
Às vezes até o rei da razão
Tem que saber calar

Pra nao sair ferido esta é a condição
Saber ser mais ouvido é um dom
“Não, eu não disse isto”
Disse, e não tem volta
Às vezes até o rei da revolta
Tem que saber calar

Quantas palavras fortes e doídas
Vão se debruçar sobre alguém
Reabrindo velhas feridas
Que já cicatrizavam bem
Cheias de vã certezas
De tanta coesão
Às vezes até o rei da razão
Tem que saber calar

Pra não sair ferido esta é a condição
Saber ser mais ouvido é um dom
“Não, eu não disse isto”
Disse, e não tem volta
Às vezes até o rei da revolta
Tem que saber calar

Um líder frente à revolução
Tem que saber calar
Um Deus que assiste a evolução
Tem que saber calar
O verdadeiro rei da palavra
Valoriza o som
Fala como quem ja compreendeu
Que o silencio é bom

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Fábio: UM DIA NA ROÇA

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Fabio, que não conheço pessoalmente, leu meu texto:COLHENDO ALGODÃO. Inspirou-se e escreveu o texto que vai abaixo. Lindo! Posto com muito prazer!

 

Esther gostei tanto do seu texto que inspirado nele escrevi também uma lembrança de criança. Meu texto sera divulgado no blog de jovens da minha igreja e se quizer, pode divulgar aqui em seu Blog. Segue:

Um dia na roça – Em homenagem ao meu pai.
Hoje pela manhã eu li um excelente texto no Blog da Esther Carrenho onde ela descreveu uma de suas historias da época de criança. É lógico que a leitura me remeteu a minha fase de criança e me fez lembrar a época em que meu pai me levava para a roça nos finais de semana e férias.
Lembro-me bem de acordar as 6:00, ainda com muito sono, mas empolgado com as atividades na fazenda. Saia da cama, colocava uma calça, camisa de manga comprida e a minha bota sete léguas vermelha! Como eu tinha orgulho daquela bota! Sentia-me poderoso quando terminava de calçar. No caminho para cozinha, eu já sentia aquele cheiro de café forte sendo passado. Lá, encontrava com meu pai enquanto meu avô já estava no curral, ele sempre acordava mais cedo do que todos. Enquanto o café passava, feito em um grande fogão de lenha que aquecia a cozinha, eu sentado, observava aquela cozinha antiga e com detalhes peculiares. A coleção de canecas de variados modelos penduradas e muito bem organizadas chamava minha atenção, eu gostava muito das cores variadas. Acima do fogão, dois arames amarrados ao teto desciam e seguravam um pedaço de pau onde eram penduradas linguiças e carnes que seriam consumidos no almoço. O teto, sem laje, com telhas velhas e com uma grande comunidade de aranhas que se espalham por todos os cantos! O emaranhado de teias era ótimo pois ajudava no combate aos mosquitos que passeavam por ali. Na janela um vidro quebrado, e na porta a dócil Susana com seus belos pelos brancos e sujos e sempre com aquela cara de esperança de que receberia alguma sobra do café da manha. Depois de muito observar, pegava uma das belas canecas (minha preferência era a de alumínio) tomava café com leite, leite puro, direto da vaca, comia um pão com manteiga, jogava um pedacinho para Suzana e ia caminhando com meu pai para o curral me sentindo o verdadeiro Rei do Gado.
Agora sim, hora de trabalhar! Era o máximo ajudar meu pai ou o retireiro a moer o capim naquela máquina barulhenta que ia cuspindo o capim moído. Eu pegava um balaio, enchia de capim, mas não tinha força para carregar e levar até o cocho, a propósito, o cocho para a Vaca é o mesmo que o prato para os homens. Meu pai levava o capim, jogava nos cochos e me deixava incumbido de misturar a ração no capim, eu realizava a atividade com satisfação, no cocho de cada vaca. Admito que por minha conta, sem o aval do meu pai e avô, que recomendavam colocar a mesma quantidade de ração em todos os cochos, eu sempre jogava uma quantidade maior de ração no cocho de duas vacas que eu tinha preferência por serem extremamente bonitas! Uma era a Itália, uma linda vaca Jersey, pequena e meiga, marronzinha e com uma mancha branca na testa. A outra era a Brasília, vaca toda preta, com pequenas manchas brancas, era grande e forte, impunha mais respeito do que muito Touro. Refeição preparada e lá estavam todas as vacas, perfiladas e com uma “boca boa” comiam com muita alegria! Era tão prazeroso ver aquela cena que eu sentia vontade de comer aquele capim com ração também!
Enquanto comiam, todos trabalhavam. Meu avô tirava leite, eu ajudava tocando os bezerros que iam ao encontro da mãe para mamar e, meu pai, que apesar de não ser veterinário, aplicava injeções em algumas vacas que precisavam de algum tipo de tratamento. Falando em pai, desde aquela época até hoje eu sempre sentia orgulho dele, olhava para uma pessoa que sabia de tudo e pensava: Quero ser como ele! Com as atividades no curral finalizadas, as vacas eram soltas para o pasto e era uma apreensão. Tínhamos que ter cuidado para que o Touro bravo Jerônimo não entrasse no curral. Admito que sentia medo. Mas se eu estava montado no Bainho, ai era tranquilo! Vacas no pasto, agora era hora de pegar as caçambas cheias de leite, carregar a carroça e partir para o ponto onde encontrávamos com o caminhão que levava o leite para a cidade. No decorrer do caminho, que não era muito longo, eu sempre gostava de descer e abrir a porteira, mesmo sabendo que era quase certo de que o guia da carroça iria fazer ora e sair correndo com a carroça enquanto eu fechava a porteira, ainda mais se este guia fosse meu primo Tiago. Eu não sentia medo, pois sabia que se ficasse para trás a Suzana estava comigo! Ela sempre nos acompanhava.
De volta á fazenda, era chegada a hora de um momento sublime, o almoço! Eu chegava á cozinha esganado, com muita fome, e lá estava meu avô, meu pai e minha linda avó, que preparava uma refeição maravilhosa!(arroz, feijão, couve, angu e linguiça) Almoço servido, barriga cheia e uma sensação de dever cumprido.
Estas boas lembranças da roça me trazem uma reflexão do quanto Deus foi bom para mim durante a minha infância. Este simples texto escrevo em homenagem ao meu pai, Eliseu, que me proporcionou estes momentos maravilhosos e que nunca mediu esforços para me ver feliz! Ser conduzido por caminhos corretos, ensinado a ser uma pessoa justa, com valores sólidos! Isto é uma dádiva! Obrigado Senhor!

Divulgar no blog e no grupo e incentivar as pessoas a contar uma historia de criança com homenagem a alguém. Esta historia será editada e colocada no blog dos jovens.