PÁSCOA 2014

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Dedico este pequeno texto a todas as pessoas que repartem comigo suas dores, seus anseios e seus sonhos.

Páscoa além de lembrar feriado, ovos de chocolates e família traz também a memória o verdadeiro significado na prática cristã. Cristo saiu do túmulo e vive para sempre. Ele morreu na sexta-feira depois de uma condenação injusta e rápida (desconfio que é a mais rápida da história, foi preso na quinta ao anoitecer e no dia seguinte pela manhã foi condenado) foi crucificado e morreu as 15h. Mas na noite de sábado para domingo Ele ressuscitou. E, quando Maria de Magdala e outras mulheres foram ao túmulo levando unguentos, para cuidar melhor do corpo dele no domingo, a pedra estava fora do lugar e o interior do túmulo vazio. E por mais que se pesquise é comprovado que um corpo morto esteve naquele lugar, mas não como provar que o corpo tenha apodrecido ali. Ele ressuscitou. Venceu a morte! Refez a esperança!

Como cristã, creio nisso! Mas creio mais. Creio que o efeito da ressurreição de Cristo não se limita apenas a Vida Eterna. Ela se estende a nós em nossa vida terrena e faz toda a diferença. Em nossos processos de crescimento trilhamos muitas vezes caminhos de volta para buscar aquilo que, deveria fazer parte da nossa vivência cotidiana, mas acha-se amortecido e enterrado em algum lugar nos recônditos das nossas vidas e das nossas memórias. Então a páscoa pode e deve ser também uma renovação da esperança e do ânimo em cada coração para não temermos a busca da vida que se perdeu em algum trajeto ou experiência dolorida. Crendo que há a possibilidade do “morto” ganhar vida, ressuscitar e se reintegrar  no nosso viver diário, fazendo-nos mais inteiros e contribuindo para nossa completude!

Então, feliz páscoa! Em todos os sentidos!

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O ABORTO E SUAS DORES

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Meu trabalho é ouvir os segredos e as dores das pessoas. E entre tantas dores estão as das mulheres que um dia interromperam uma gestação. Algumas aceitam o perdão de Deus, o perdão dos familiares mas tem dificuldades de doarem perdão para si mesmas. Entre estas está a Amália, doutora em arquitetura. Ela queria muito reparar o que fez, ter seu feto de volta. Ou ter seu bebê crescido. Adulto. Não dá mais. A ciência e nem nada neste mundo pode reparar o que foi feito. Quando estava em contato com esta dor, Amália escreveu o poema abaixo:

DOR: Antes e depois

“Dentro de mim tem uma dor

Plantada em amargo chão

De uma semente que não floresceu

Pois um jardineiro a renegou

Infeliz.

 

Dentro de mim tem criança

que se desfez

Tem adolescente que não aconteceu

Tem adulto que não envelheceu

 Ladrão

 

Dentro de mim tem grito de socorro

Largado num vazio

Tem lágrimas transformada em rio

De uma agulha enfiada no coração

Morte

 

Dentro de mim tem estrada sem retorno

E bracinhos que não mais esperam

Tem finitude do que não era meu

Trapaça

 

Eu fui casa sua

E demolição

Seu primeiro tom de respeito

Mas lhe disse não

Abandono

 

E levo comigo um demônio

Que me acorda

Com o pranto seu

Que escancara em minha alma

Aquilo que você não viveu

Remorso

 

 E vou vivendo infeliz

 Roubando, morrendo

 Trapaceando minha vida

 Me abandonando num remorso

 Das vidas que eu não quis.”

 

Deus ama e acolhe quem sofre este tipo de dor. E na cruz de Cristo está a restauração total. Ele esbanjou absolvição para todo e qualquer ato do qual uma pessoa venha a se arrepender. Mesmo aqueles atos que não se tem como reparar. No calvário o coração e a vida pode se refazer e sair da culpa e da auto punição, porque o preço foi pago. Por mim e por ti. “…o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele e pelas suas pisaduras fomos sarados.” Isaías 53.5

 

 

 

ABUSO SEXUAL: De quem é a culpa?

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          O assunto do momento é: “Quem é o responsável pelo abuso sexual cometido contra a mulher?” E surpreendentemente as pesquisas apontam para o fato que a maioria dos entrevistados – entre eles tinham mais mulheres que homens – declararem que a responsabilidade é da mulher que se veste de maneira “provocativa”.

          Penso que culpar a mulher de erros provenientes das interações masculino e feminino, não é novo. E considerando a ótica bíblica, este tipo de acusação começou no Eden. Foi lá que o homem não assumiu sua rebeldia e culpou “a mulher que tu me deste” diante de Deus. E desde então a mulher tem sido acusada por homens e mulheres, principalmente quando o problema diz respeito a abuso sexual. O que aconteceu? Parece-me que a mulher perdeu sua identidade e seu valor e se dispõe a acusar ou a pagar pela responsabilidade que vai além da própria. E o homem fica numa situação de conforto como se fosse um bicho do mato que não tem controle sobre seus desejos e excitações.

         Como podemos sair disto? Ou como podemos mudar a forma de homens e mulheres enxergarem a si mesmos em suas culpas e responsabilidades? Homens assumindo suas responsabilidades e mulheres não assumindo o que não é seu?

          Como seguidora de Cristo Jesus, penso que na Redenção podemos ter a redenção de um novo olhar sobre esta situação tão devastadora para a mulher. Nele temos uma postura, não de abuso, mas de redenção da mulher e de dignidade para o homem. Cristo cura uma garota de 12 anos para que fosse alimentada pelos pais e crescesse se tornando uma mulher. Cura a mulher que tinha uma hemorragia uterina, doença exclusiva de mulher e muda a identidade desta mulher. Antes ela era a “mulher imunda” que tinha um fluxo continuo de sangue, depois da cura ela está capacitada novamente para se relacionar. Tornou-se uma “mulher limpa” e pode viver novamente em contato com as demais pessoas. Acolhe amorosamente o contato da prostituta. E seu olhar é tão amoroso que ela se debulha em lágrimas molhando seus pés e enxugando-os com os cabelos. E dali por diante passou a ser a ex prostituta. Não julga e nem condena a mulher pega em flagrante com outro homem que não era seu marido. Se era um flagrante porque não levaram o homem junto? É a oportunidade para que Cristo questione a responsabilidade de cada um dos homens, por si mesmo. E é para uma mulher sedenta na vida que tentava acalmar sua sede trocando de homem em homem que ele se revela como Messias e a fonte de água viva, a mulher samaritana!

          Em Cristo, como mulher, posso me aceitar, me amar e me valorizar como uma pessoa e desta forma não assumir e nem jogar em outra mulher responsabilidades que são de outros. E o homem pode olhar para si mesmo e reconhecer seus erros e fraquezas ao invés de jogar a responsabilidade que é dele sobre a mulher.