Meu trabalho é ouvir os segredos e as dores das pessoas. E entre tantas dores estão as das mulheres que um dia interromperam uma gestação. Algumas aceitam o perdão de Deus, o perdão dos familiares mas tem dificuldades de doarem perdão para si mesmas. Entre estas está a Amália, doutora em arquitetura. Ela queria muito reparar o que fez, ter seu feto de volta. Ou ter seu bebê crescido. Adulto. Não dá mais. A ciência e nem nada neste mundo pode reparar o que foi feito. Quando estava em contato com esta dor, Amália escreveu o poema abaixo:

DOR: Antes e depois

“Dentro de mim tem uma dor

Plantada em amargo chão

De uma semente que não floresceu

Pois um jardineiro a renegou

Infeliz.

 

Dentro de mim tem criança

que se desfez

Tem adolescente que não aconteceu

Tem adulto que não envelheceu

 Ladrão

 

Dentro de mim tem grito de socorro

Largado num vazio

Tem lágrimas transformada em rio

De uma agulha enfiada no coração

Morte

 

Dentro de mim tem estrada sem retorno

E bracinhos que não mais esperam

Tem finitude do que não era meu

Trapaça

 

Eu fui casa sua

E demolição

Seu primeiro tom de respeito

Mas lhe disse não

Abandono

 

E levo comigo um demônio

Que me acorda

Com o pranto seu

Que escancara em minha alma

Aquilo que você não viveu

Remorso

 

 E vou vivendo infeliz

 Roubando, morrendo

 Trapaceando minha vida

 Me abandonando num remorso

 Das vidas que eu não quis.”

 

Deus ama e acolhe quem sofre este tipo de dor. E na cruz de Cristo está a restauração total. Ele esbanjou absolvição para todo e qualquer ato do qual uma pessoa venha a se arrepender. Mesmo aqueles atos que não se tem como reparar. No calvário o coração e a vida pode se refazer e sair da culpa e da auto punição, porque o preço foi pago. Por mim e por ti. “…o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele e pelas suas pisaduras fomos sarados.” Isaías 53.5

 

 

 

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