A CRIANÇA QUE FUI – Fernando Pessoa

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“A criança que fui chora na estrada.

Deixei-a ali quando vim ser quem sou;

Mas hoje, vendo que o que sou é nada,

Quero ir buscar quem fui onde ficou.

 

Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou

A vinda tem a regressão errada.

Já não se de onde vim nem onde estou.

De o não saber, minha alma está parada.

 

Se ao menos atingir neste lugar

Um alto monte, de onde possa enfim

O que esqueci, olhando-o, relembrar.

 

Na ausência, ao menos, saberei de mim,

E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar

Em mim um pouco de quando era assim.

Meu Deus! Meu Deus! Quem sou, que desconheço

O que sinto que sou? Quem quero ser

Mora, distante, onde meu ser esqueço,

Parte, remoto, para me não ter

 

Fernando Pessoa

 

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DIA DAS MÃES – 2014

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Dia das mães é todo o dia.

Mas hoje, segundo domingo de maio, quero celebrar:

As mães que geraram;

As mães que amamentaram;

As mães que amaternam

As mães que adotaram;

As mães que abortaram;

As mães que abandonaram;

As mães que rejeitaram;

As mães que sufocaram;

As mães que terceirizam;

As mães que tiraram a vida;

E as mães que promoveram vida.

Porque:

Cada uma tem sua dor!

Abraço, a mãe que ofende.

A mãe que defende;

A mãe que lamenta;

A mãe que ora sem cessar;

A mãe que luta;

A mãe que chora;

A mãe que ri;

A mãe que espera;

A mãe que silencia;

A mãe que não desiste;

A mãe que acolhe;

A mãe que confronta;

A que se condena;

A mãe que ensina;

A mãe que não aguenta;

A mãe que é pai;

A mãe que não teve mãe;

E a mãe ferida.

Porque mãe perdoa. Um milhão de vezes.

E precisa de perdão,

todos os dias.