Estou fazendo 6.9 de km rodados na vida, no dia 06-02-2016. Quase setenta!
Gerei, criei e amaternei filhos, plantei árvores e escrevi livros e quero continuar viva!
Ando em vários caminhos. Uns são meus, outros atravessaram os meus. De surpresa! Mas em cada um deles quero fazer parte do lado bom da história! Que Deus me ajude!
Quero muito mais fecundar do que produzir!
Nasci pobre. Muito pobre. Meus pais tinham uma casinha de madeira com uma cama, um armário, um fogão, uma mesa e quatro cadeiras…
Enquanto eu era gestada, numa noite cheia de estrelas meu pai entendeu que Cristo realmente era Divino e decidiu segui-lo. Dai para frente tudo mudou na vida dos meus pais e na minha.

Recebi um nome bíblico, porque Ester foi uma rainha que se preocupou mais com o povo israelita, do que com ela, e meu pai profetizou na minha vida desejando que eu ajudasse a muitos. A diferença está apenas numa letra. O escrevente acrescentou um h no meu nome, e ficou ESTHER, o que muito me extasia. Gilberto Safra, psicanalista paulistano, autografou um livro para mim e percebeu no meu nome o mesmo “th” de THeos, o nome de Deus no grego. Nunca me esqueci. E sempre desejo que algo de Divino habite em mim…e que possa refletir em outros!
No caminho da vida já penei muito.

Já fui desamparada, mas encontrei forças e driblei a morte dos afetos. Já fui humilhada, sofri mas aprendi a não olhar “por cima”; já fui explorada, chorei mas não me permiti tornar-se subserviente; já fui caluniada, enraiveci mas desapeguei-me da minha imagem e reputação; já fui injustiçada, me senti coitada, mas aprendi a trilhar o caminho do bem a troco de nada. Já fui ofendida profundamente. Mais que uma vez. Tanto por quem está longe como por aqueles que caminham próximos. Sangra a alma, principalmente quando se tem uma afeição profunda pelo ofensor, mas estas dores estão me ajudando a trilhar cada passo do difícil caminho do perdão e vou na direção de zerar o saldo dos meus ofensores. E olhando para trás percebo que todos os pesares cooperaram e ainda cooperam para o adestramento da minha natureza humana.

Com certeza também ofendi, fui injusta, ingrata e desamparei. As vezes que me lembro, lamento muito. Mas deve haver situações que nem percebi! Que a misericórdia de Deus e das pessoas, me alcance.

Importo-me menos com as críticas. Deixo as pessoas livres para falarem de mim. Bem ou mal, gostarem ou não. Já não me atinge tanto!

Meu corpo envelheceu, mas minha cabeça (algumas pessoas também) ainda pensa que ele é novo! Vivo está cisão!

Por ser um corpo velho guarda cuidadosamente cada caloria ingerida! Minha força física diminui a cada dia; a beleza do meu rosto vai se escondendo atrás de novas dobrinhas. Minhas mãos estão manchadas pelo sol e o tempo. E os anéis que já usei, não passa mais pela artrose das juntas.

Cada dia que passa falo menos. Já enfrentei todos os fantasmas do silêncio e eles já não me assustam mais. E para meu êxtase, muitas vezes, encontro com o Sagrado na ausência de palavras!

Com isto escuto mais, sinto mais a pele de cada pessoa, grande ou pequena, que se aproxima. Enxergo melhor as fisionomias, as flores e o por do sol. Deixei os óculos que faziam parte do perfil desde a adolescência. O cristalino artificial me libertou da catarata e das lentes da armação. Escuto melhor cada palavra, soluço ou suspiro. Recebo no meu ser as agonias e as vibrações de cada pessoa que chega. Corpo velho tem menos órgãos… e mais espaço!
Vejo e escuto coisas e gentes que não percebia aos vinte, nem aos quarenta…

Descubro radiante:
tem muito novo numa vida velha.

Gosto de me cuidar, mas não sou escrava da minha aparência.

Tenho certeza: Nada diminui a idade!

Sou menos religiosa. Regras humanas não me prendem mais. Mas me vejo desejosa de descobrir mais da beleza espiritual do Deus que se encarnou. E sinto saudades da companhia do Cristo Redentor e me demoro no saborear, a Sua história de vida!
Não sou mais tão pobre! Tenho mais do que preciso e quase tudo que desejo! Vivo bem! Gosto da vida!

Devo ter mais uns 10 anos. Talvez menos, talvez mais. Que a morte me pegue de surpresa…
Que eu viva mais este ano, com dignidade, sob o olhar do Cristo Remidor!
Que continue a perseguir meu alvo: ser autentica é verdadeira em todo lugar com todas as pessoas.
Que seja um tempo de “Encontros” onde eu possa fecundar e também ser fecundada! Que algo meu fique no outro e algo do outro fique em mim…

Que eu tenha gratidão por aqueles que me amam e me fazem tanto bem!

Que meus sonhos sejam, principalmente, em prol das pessoas. Com prioridade, as que estão bem próximas.

Feliz ano novo, de vida, pra mim!

Alter do Chão out.13
Amo o nascer e o por do sol. Eles anunciam que algo ficou para trás e algo novo surge no horizonte… (Foto que tirei em 2014, Alter do Chão, Santarém, Pará)

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