QUARENTA E DOIS ANOS…

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MAIS UM NIVER DE CASAMENTO

Quarenta e dois anos se passaram desde aquele dia chuvoso durante o dia e sem luz a noite…Nos olhares de hoje éramos jovens demais, mas resolvemos juntar nossas vidas. Eu muito rebelde: sem aliança, sem pai levando no altar, sem compromisso de ficar junto a vida toda. Ele paciente e sempre amoroso! Mais uma coisa combinamos: seriamos honestos e verdadeiros para com o outro, sempre.
O que era amizade, virou desejo de ficar junto. O que era “até quando der” virou compromisso, de fidelidade, renovado a cada manhã.
Nem sempre “sinto” amor. As vezes sinto mesmo é desencanto. Descobri que a recíproca também é verdadeira. Mas é a vida de quem vive juntos e não tem a intenção de esconder os verdadeiros sentimentos. Mas o sentir vontade de distanciar, não tira do meu coração o desejo de fazer valer o compromisso de permanecer, de cuidar bem, de ser carinhosa e de continuar fiel e honesta.
Hoje nos dividimos muito: com as pessoas que atendo, com a Comunidade (religiosa), com alguns amigos, com os filhos, e principalmente com os netos. Mas nestas convivências mantemos o desejo de voltar e ficar a sós, sem ninguém por perto. Nossa casa é muito aberta, como aberto ficou nosso coração. Mas curtimos cada momento onde a casa e o tempo é todo nosso!

Como aconteceu?

É uma caminhada:
Ficamos cansados
As vezes machucados
Subimos morros,
Ultrapassamos barreiras
Caminhamos na beira de abismos;
Ferimos os pés,
Choramos. Sangramos!
Foi preciso esperar!
Bichos e feras urraram
Tivemos medo
E ficamos mais pertinho,
Um do outro.
Um caiu de cansado,
O outro deu a mão.
Um encolheu a mão,
O outro ficou por perto,
Atravessamos rios,
Fomos tragados
Pela correnteza.
A corda foi lançada,
Agarramos.
Um barco chegou.
Novamente em segurança.
Andamos a margem,
Contemplando cada florzinha.
Fomos marcados,
Um pelo o outro.
E estamos misturados.
Não dá para separar
Sem levar em si o outro.
Caminhamos ainda
Para o topo da montanha.
JUNTOS!

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Pergunta Recorrente: Seu casamento é bom?

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As vezes, eu mesma olho para minha história e custo acreditar que, realmente, eu gosto de estar casada e amo o mesmo homem por 41 anos. Entendo estas perguntas. Entendo também aqueles que ficam de olho para descobrir alguma coisa que justifique a afirmação: “Viu só. Eles não se dão tão bem assim.”

A maior prova de que meu casamento é bom é que no mês passado tiramos férias e por 21 dias ficamos juntos quase que vinte e quatro horas por dia. E, foi muito bom. Eu gostei de ficar tanto tempo juntos. E quando queria estar só, me afastava e ele sempre respeitou meus afastamentos sem me cobrar nada. O contrário também é verdadeiro.

Foi sempre assim? Não. Houve uma época da minha vida que me vi com todos os desejos da adolescência (fase que foi queimada na minha vida, porque eu tive que trabalhar e estudar muito duro até me casar), quando já tinha mais de trinta. E nesta fase tive muita vontade de “virar a própria mesa”. Mas eu me lembrava a cada momento que tinha uma responsabilidade para com meus dois filhos: cuidar deles. Tomei consciência também que meu marido não tinha nada a ver com as faltas da minha vida. E que, como marido, ele nunca supriria as minhas carências, da adolescência e as infantis E muito menos conseguiria suprir as carências que eram da minha história. Dolorosamente escolhi agüentar a dor da falta e seguir em frente, usando todos os recursos para fazer dar certo, enquanto der…

Aos poucos fui me dando conta: ali tinha um homem que as vezes era uma tremenda bênção para mim; outras um pesado fardo. Mas vi também, que eu era para ele a mesma coisa. O que fazer então, para que o peso do fardo não esmague a bênção e a alegria de Com Viver?

Só tinha um caminho: Encarar toda a verdade no que se referia a nossa parceria. Quem eu era? Quem ele era? O que me feria? E o que o magoava? O que contribuía para que ele falasse? E o que me ajudava a silenciar? Onde estava a bondade dele? E o que aconteceu com a minha força?

Encaramos: Nos ofendemos; choramos; silenciamos, nos afastamos. Retomamos: Mais ataques; mais ofensas; mais choro; distanciamentos. Reflexão: Eu estou errada, me perdoa. A resposta vinha: “Perdoada! Eu também estou errado em muitas coisas.” “Você está perdoado”! Eu declarava.

E assim chegamos a conclusão que o contrato que nos levara ao altar não servia mais. E conscientemente anulamos aquele contrato, e fizemos um novo.

Descobri:

Que a regra de outros pouco ajuda.
Que falar a verdade é muito importante, mas o amor que é fundamental, precede a verdade!
Que afastar, sem perder o vínculo, é tão importante quanto aproximar sem perder a individualidade!
Que a canção “EU TE AMO” do Chico Buarque (“…o paletó dele enlaçava meu vestido…o meu sapato ainda pisa o seu sapato…Como é que eu vou partir?”) é verdadeira e confirma: Pode até haver divórcio. Mas separação? Nunca mais. Um leva algo do outro e deixa algo de si…Por isso nos comprometemos muitas vezes e continuamos.
Que eu não sou mais a mesma mulher de 45 anos atrás; mas ele também é um outro homem.
Que não consegui mudar, nele, as coisas que achava que dava pra mudar…Quando ele sai da mesa, eu ainda empurro a cadeira dele para debaixo da mesa…
Que nossas vidas se entrelaçaram: eu tenho muito dele e ele tem muito de mim. Fecundamos um ao outro.Minha determinação está entremeada da compaixão que é a marca destacada dele; e os respingos da minha força consolidaram a bondade dele.
Enfim, gosto de voltar para casa, depois das minhas viagens ou do meu dia de trabalho; e percebo: ele gosta de me re-encontrar! Estamos alé do amor! Nos gostamos!

Então posso responder: Meu casamento não é perfeito. Ainda brigamos, mas é um BOM CASAMENTO!

Há a decisão de amar e a delícia de gostar!

Meu Aniversário de Casamento

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Eu e o Eliel fazemos 41 anos de casados no dia 11 de julho. Dia do aniversário dele. Mais 4 de namoro, somam quarenta e cinco anos de convivência…Quando viajo para palestras, fóruns ou congressos, tenho muito prazer em voltar para casa. E percebo que o Eliel, quando estou presente, nem gosta de sair…Bom sinal! Há um mês, saímos de férias por duas semanas e ficamos 24 horas juntos…Juntos mesmo! E mais uma vez confirmou que gostamos da companhia um do outro. Bem, foi sempre assim? É a pergunta que me muitos me fazem.

Respondo: “Não!” E qual é o segredo? É a pergunta em seguida. “Não tem segredo”. Respondo. O que tem é o trabalho de investir no relacionamento entre duas pessoas com muitas diferenças e muitas semelhanças.

Nunca brigamos por causa de pontualidade. Somos iguais. Não gostamos de chegar atrasados. Somos comedidos com os gastos. Só compramos se temos o dinheiro. Detestamos dívidas. No que for possível não pagamos juros. Somos caseiros. Não gostamos de varar madrugadas acordados. O carro para nos é apenas um meio de transporte.

Ah, mas tem diferenças! E que diferenças! Eu amo comer, ele só come o necessário para viver. Amo tomar banho de manhã, ele ainda insiste em tomar banho a noite. Sou impulsiva, ele totalmente reflexivo. Decido ontem, e ele? Decide para depois de amanhã. Sou rápida ele paciente. Faço muitas coisas ao mesmo tempo; ele faz bem e detalhadamente poucas.

Viram? Houve um tempo em que víamos diferenças como defeitos e cobrávamos a mudança do outro:

Brigamos, nos ofendemos, nos perdoamos.
Choramos, nos arrependemos.
Começamos de novo. Falhamos.
Recomeçamos. Desanimamos.
Desisti. Ele não.
Ele não quis mais. Eu insisti.
Rasgamos o velho contrato.
Refizemos em cima das reconstruções.
Eu já não era a mesma. Ele era outro; com mais tato.
Era uma nova criação, saindo de velhas relações.
Casamento diferente. Um novo retrato.
Posso ir, mas escolho voltar.
Deixo livre.Ele me reencontra;
Antes da saudade chegar.
Enraivecemos. Voltamos a amar.
Tristezas chegam no olhar!
Mas logo, posso gargalhar.
Quantos orgasmos, da vida, gozar!
Sentir cada flor, cada pesar
Com os cinco sentidos, amar!
Celebrar e festejar.
Cada dia que juntos vamos ficar!

Bom, quero continuar cavando cada vez mais fundo o mistério inexplicável, da relação conjugal duradoura.