MINHA VIDA – Terceira década

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De 1967 a 1976

Fui trabalhar nos escritórios do grupo Matarazzo, na Pça Patriarca, Viaduto do Chá, onde hoje funciona a prefeitura de Sampa.

Terminei o Técnico em Contabilidade, equivalente ao Ensino Médio, atual. Não tinha nada a ver comigo, mas era a única opção que eu tinha. Decidi gostar da oportunidade que tinha uma vez que não tinha como fazer o que gostava.

Casei-me aos 23 anos. Tudo novo: Casa nova e emprego novo de seis horas. Fui da primeira turma que fez o curso de perfuração, hoje, digitação, da IBM. E isto facilitou muito minha vida. Não faltava emprego e ainda ganhava muito bem fazendo extras em alguns dias. Fui trabalhar na Rhodia em Santo André.

Aos vinte e quatro tive um aborto espontâneo e experimentei na solidão, a dor de perder um filho, que era só embrião, mas doeu muito! Só quem passa sabe o vazio horroroso desta perda.

Com vinte e cinco tive meu primeiro filho. Era uma mãe chucra e inexperiente, mas me esforçava muito para dar o melhor para o meu menino. Nem sempre consegui, mas me dediquei bastante e experimentei o que é o inexplicável amor materno, onde se experimenta os sentimentos mais nobres e os mais temíveis.

Em 1973, quando fui convidada, pela Olga Colomietz, para receber e hospedar parte do grupo Jovens em Cristo , filho dos JOVENS DA VERDADE, (grupo de adolescentes e jovens que decidiram sair dos templos onde havia mais religiosidade do que vida crista verdadeira, indo pelas ruas se apresentando nas praças e locais públicos anunciando que Cristo faz diferença. Que Ele é muito mais que uma imagem, e muito mais influente que as regras expostas dentro de quatro paredes das igrejas.) e fui profundamente tocada por uma força, que chamamos Espirito Santo, a crer em Cristo como Redentor e Senhor. Não resisti. Olhei para os céus e disse: “Ok! Minha vida está aqui. Deus pode fazer de mim o que quiser!”

E daí para frente, experimentei uma mudança interior, que a cada dia me levava a crer mais. Reli a vida de Cristo, nos Evangelhos e foi como um novo balsamo para minha vida. Algumas mudanças visíveis para mim:

A morte deixou de ser um monstro;

Enxerguei meus vizinhos e as demais pessoas a minha volta;

Vi o quanto havia sido desamparada, ferida e injustiçada pela vida até então experimentada;

Vi o quanto de amargura e raiva eu carregava no coração;

Novos caminhos começaram a fazer parte do meu andar e descobri a delícia de viver, ser amada e amar! Nunca mais fui a mesma!!!

Morte da minha mãe. Com apenas 43 anos, numa cirurgia mal sucedida e com uma sequência de erros médicos, perdi aquela que me deu a vida e de quem herdei características fortes e marcantes!

Aos vinte e sete fui mãe pela segunda vez. Desta vez uma menina!eu-andre-cassia

Com o nascimento da segunda criança deixei o trabalho fora de casa para me dedicar mais ao cuidado dos filhos. Fui mãe com prazer e dedicação. Sacrifiquei muito de mim mesma, por escolha. Dei meu melhor e o que acreditava que seria melhor para minhas crianças. Nem tudo funcionou. Muito do que eu achei que era bom, quando eles cresceram fiquei sabendo que foi um mal…Mas espero um olhar amoroso dos meus filhos, para aquilo em que, sem querer, os feri.

Encantada com os mistérios da vida de Cristo fui para a Faculdade Teológica estudar na ânsia de saber mais quem é Cristo Jesus.

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NATAL 2016

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CRISTO JESUS:

Muitos acreditam que Cristo era Deus feito humano, outros não.

Muitos acreditam que Cristo nasceu de uma virgem; outros não.

Muitos acreditam que Ele não casou; outros, que Ele teve amante…

Muitos acreditam que era Ele era o Messias prometido, outros não.

Muitos acreditam que Ele transformou água em vinho e ressuscitou pessoas, outros não.

Muitos acreditam que Ele foi condenado a morte de cruz pelas mazelas do ser humano, outros não.

Muitos acreditam que Ele ressuscitou, deixando o túmulo vazio, outros não.

Muitos esperam por Sua volta, outros não.

Mas há um fato que todos concordam: Ele existiu, caminhou entre os seres humanos e marcou o calendário. Antes e depois dEle.

E tem uma coisa que eu tenho certeza, mesmo que todos duvidem: A minha vida foi impactada e radicalmente mudada por Cristo. Busco nEle a referência que tento viver em todos meus relacionamentos.

FELIZ NATAL!

Esther Carrenho

QUASE 70

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Estou fazendo 6.9 de km rodados na vida, no dia 06-02-2016. Quase setenta!
Gerei, criei e amaternei filhos, plantei árvores e escrevi livros e quero continuar viva!
Ando em vários caminhos. Uns são meus, outros atravessaram os meus. De surpresa! Mas em cada um deles quero fazer parte do lado bom da história! Que Deus me ajude!
Quero muito mais fecundar do que produzir!
Nasci pobre. Muito pobre. Meus pais tinham uma casinha de madeira com uma cama, um armário, um fogão, uma mesa e quatro cadeiras…
Enquanto eu era gestada, numa noite cheia de estrelas meu pai entendeu que Cristo realmente era Divino e decidiu segui-lo. Dai para frente tudo mudou na vida dos meus pais e na minha.

Recebi um nome bíblico, porque Ester foi uma rainha que se preocupou mais com o povo israelita, do que com ela, e meu pai profetizou na minha vida desejando que eu ajudasse a muitos. A diferença está apenas numa letra. O escrevente acrescentou um h no meu nome, e ficou ESTHER, o que muito me extasia. Gilberto Safra, psicanalista paulistano, autografou um livro para mim e percebeu no meu nome o mesmo “th” de THeos, o nome de Deus no grego. Nunca me esqueci. E sempre desejo que algo de Divino habite em mim…e que possa refletir em outros!
No caminho da vida já penei muito.

Já fui desamparada, mas encontrei forças e driblei a morte dos afetos. Já fui humilhada, sofri mas aprendi a não olhar “por cima”; já fui explorada, chorei mas não me permiti tornar-se subserviente; já fui caluniada, enraiveci mas desapeguei-me da minha imagem e reputação; já fui injustiçada, me senti coitada, mas aprendi a trilhar o caminho do bem a troco de nada. Já fui ofendida profundamente. Mais que uma vez. Tanto por quem está longe como por aqueles que caminham próximos. Sangra a alma, principalmente quando se tem uma afeição profunda pelo ofensor, mas estas dores estão me ajudando a trilhar cada passo do difícil caminho do perdão e vou na direção de zerar o saldo dos meus ofensores. E olhando para trás percebo que todos os pesares cooperaram e ainda cooperam para o adestramento da minha natureza humana.

Com certeza também ofendi, fui injusta, ingrata e desamparei. As vezes que me lembro, lamento muito. Mas deve haver situações que nem percebi! Que a misericórdia de Deus e das pessoas, me alcance.

Importo-me menos com as críticas. Deixo as pessoas livres para falarem de mim. Bem ou mal, gostarem ou não. Já não me atinge tanto!

Meu corpo envelheceu, mas minha cabeça (algumas pessoas também) ainda pensa que ele é novo! Vivo está cisão!

Por ser um corpo velho guarda cuidadosamente cada caloria ingerida! Minha força física diminui a cada dia; a beleza do meu rosto vai se escondendo atrás de novas dobrinhas. Minhas mãos estão manchadas pelo sol e o tempo. E os anéis que já usei, não passa mais pela artrose das juntas.

Cada dia que passa falo menos. Já enfrentei todos os fantasmas do silêncio e eles já não me assustam mais. E para meu êxtase, muitas vezes, encontro com o Sagrado na ausência de palavras!

Com isto escuto mais, sinto mais a pele de cada pessoa, grande ou pequena, que se aproxima. Enxergo melhor as fisionomias, as flores e o por do sol. Deixei os óculos que faziam parte do perfil desde a adolescência. O cristalino artificial me libertou da catarata e das lentes da armação. Escuto melhor cada palavra, soluço ou suspiro. Recebo no meu ser as agonias e as vibrações de cada pessoa que chega. Corpo velho tem menos órgãos… e mais espaço!
Vejo e escuto coisas e gentes que não percebia aos vinte, nem aos quarenta…

Descubro radiante:
tem muito novo numa vida velha.

Gosto de me cuidar, mas não sou escrava da minha aparência.

Tenho certeza: Nada diminui a idade!

Sou menos religiosa. Regras humanas não me prendem mais. Mas me vejo desejosa de descobrir mais da beleza espiritual do Deus que se encarnou. E sinto saudades da companhia do Cristo Redentor e me demoro no saborear, a Sua história de vida!
Não sou mais tão pobre! Tenho mais do que preciso e quase tudo que desejo! Vivo bem! Gosto da vida!

Devo ter mais uns 10 anos. Talvez menos, talvez mais. Que a morte me pegue de surpresa…
Que eu viva mais este ano, com dignidade, sob o olhar do Cristo Remidor!
Que continue a perseguir meu alvo: ser autentica é verdadeira em todo lugar com todas as pessoas.
Que seja um tempo de “Encontros” onde eu possa fecundar e também ser fecundada! Que algo meu fique no outro e algo do outro fique em mim…

Que eu tenha gratidão por aqueles que me amam e me fazem tanto bem!

Que meus sonhos sejam, principalmente, em prol das pessoas. Com prioridade, as que estão bem próximas.

Feliz ano novo, de vida, pra mim!

Alter do Chão out.13
Amo o nascer e o por do sol. Eles anunciam que algo ficou para trás e algo novo surge no horizonte… (Foto que tirei em 2014, Alter do Chão, Santarém, Pará)

PÁSCOA 2015

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Como muitos já sabem, sou cristã e tenho uma veneração toda especial por Cristo Jesus. Eu creio mesmo que ele era Deus que se fez gente, nasceu bebê, cresceu, viveu e morreu. Mas não ficou no túmulo! Ressuscitou para renovar cada dia não só a esperança, mas também a certeza da continuidade da vida em nossos corações. Nesta Páscoa, quero lembrar que vejo muita semelhança no ocorrido na última semana de vida aqui na terra, de Cristo e o processo de crescimento humano. Diante da expectativa de sofrimento os discípulos, dormiram, fugiram e depois duvidaram da Vida que (re)surgiu do túmulo em que Ele ofertado por José de Arimatéia, onde Seu corpo morto fora colocado. Cristo venceu a morte saindo de dentro dos tecidos da mortalha que o envolvia. Mas antes do domingo de aleluia, foi preso, menosprezado, cuspido, furado e pregado. Foi colocado no túmulo deixando um vazio horroroso e sombrio no coração dos seus seguidores. Mas na madrugada de sábado para o domingo quebrou o ferrão da morte, que ficou aleijada para sempre. Vejo muitas semelhanças no movimento humano em direção ao crescimento. É possível que se tenha de passar por todas estas fases e momentos. Quem quiser vencer as partes amortecidas em si mesmo, precisa ter a disposição e coragem de enfrentar seu próprio calvário, para finalmente ver ressurgir a vida abundante para a qual Deus nos criou. Feliz Páscoa 2015.Como muitos já sabem, sou cristã e tenho uma veneração toda especial por Cristo Jesus. Eu creio mesmo, que Ele era Deus que se fez gente, nasceu bebê, cresceu, viveu e morreu. Mas não ficou no túmulo! Ressuscitou para renovar cada dia, não só a esperança, mas também a certeza da continuidade da vida em nossos corações.
Nesta Páscoa, quero lembrar que vejo muita semelhança no ocorrido na última semana de vida aqui na terra, de Cristo, e o processo de crescimento humano.
Diante da expectativa de sofrimento os discípulos, dormiram, fugiram e depois duvidaram da Vida que (re)surgiu do túmulo, ofertado por José de Arimatéia, onde Seu corpo morto fora colocado. Cristo venceu a morte saindo de dentro dos tecidos da mortalha que o envolvia. Mas antes do domingo de aleluia, foi preso, menosprezado, cuspido, furado e pregado. Foi colocado na tumba, deixando um vazio horroroso e sombrio no coração dos seus seguidores. Mas na madrugada de sábado Ele surgiu Vivo novamente quebrando o ferrão da morte, que ficou aleijada para sempre.
Vejo muitas semelhanças no movimento humano em direção ao crescimento. É possível que se tenha de passar por todas estas fases e momentos. Quem quiser reviver as partes amortecidas em si mesmo, precisa ter a disposição e coragem de enfrentar o calvário ao encarar de frente suas próprias mazelas. Assim há possibilidade de ver ressurgir a vida abundante para a qual Deus nos criou, aqui.
Que possamos desfrutar do NOVO que o domingo da ressurreição anuncia: A Vida triunfou!
Que tenhamos mais vida!
Feliz Páscoa 2015.

O NATAL E NOSSAS FRAGILIDADES

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Há alguns anos atrás, fui tocada quanto a necessidade de irmos ao encontro do Deus que se fez bebê, e escrevi um texto na ocasião. Compartilho neste Natal o que já estava escrito, como desejo de Feliz Natal.

“Como profissional da relação de ajuda, me deparo com a dificuldade que temos de entrar em contato com a “criança” que internalizamos. E olhar para esta “criança” parece que tem sido a melhor forma de nos conscientizarmos das dinâmicas internas que adotamos diante da dor, desde a mais tenra idade. Dinâmicas estas que influenciam e determinam nosso viver sem que percebamos o que estamos fazendo. Uma vez conscientes, podemos perpetuá-las ou abandona-las tomando novas atitudes e mudando nosso comportamento!

Como cristãos ainda justificamos nossa conduta de anestesiar as memórias, alegando que temos que deixar para trás o passado. Penso que, se desejamos que nosso presente não seja influenciado pelo passado temos que ter coragem para olhar as lembranças, inclusive as doloridas. E ver e rever tudo que está armazenado na memória, para depois integrarmos o passado ao presente e desta forma assumir amorosamente a própria história na sua totalidade. Isto significa que muitas vezes teremos que assumir que temos em nossas vidas um lado, frágil, carente e necessitado de cuidado, afeto, atenção e amor. Quando não se tem humildade suficiente para assumir este lado nos tornamos manipuladores, controladores e buscamos de formas ilegítimas uma forma de suprir nossos mais profundos desejos.

Neste natal gostaria de lembrar que Deus se fez presente como humano entre nós, tornando-se um embrião, se alojando no útero de Maria, nascendo como um bebê frágil e dependente, necessitando de cuidados, atenção, calor, seio, alimento, colo e contato físico. Enfim necessitando da presença humana amorosa. Talvez por isso, na vida adulta, Cristo aceita o cuidado de outros, dá e recebe contato físico, dizia “sim” mas também sabia dizer “não”, sabia quem era e nunca se desviou de seus propósitos!

Sabemos com certeza da importância do encontro com o Cristo crucificado porque ali está a nossa redenção, sabemos também da importância de caminhar com o Cristo ressuscitado porque neste caminhar está o nosso viver triunfante, mas não temos a coragem dos Magos e dos Pastores que foram ao encontro do Cristo infante! Se conseguirmos nos encontrar com o Cristo bebê, com certeza aceitaremos melhor a nós mesmos e aos outros nas fragilidades, carências e necessidades. E assim seremos mais amorosos uns com os outros e cada um consigo mesmo.

Que neste natal possamos nos encontrar com o Cristo da manjedoura e assim nos tornarmos mais inteiros aceitando também o que temos de frágil!”

Feliz Natal para todos!Natal 2009

Adeus 2012!

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Chego ao final de mais um ano!

Só tenho a agradecer!

Obrigada, Deus Pai, pelas alegrias e tristezas, pelos projetos concretizados e pelos abortados, pelas honras e humilhações; pelas verdades conquistadas e pelas mentiras que chegaram;
pelas conquistas e pelas derrotas, pelos acertos e pelos erros, pelo que nasceu e pelo o que se foi, pelos choros e pelas risadas, pelas celebrações e pelas decepções, enfim obrigada pelos prazeres e pelas dores deste ano.

Que eu possa dar conta de ser a melhor parte, na história daqueles que fazem parte da caminhada, na jornada da minha vida.

Que venha 2013!

FELIZ QUARENTA, MEU FILHO!

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QUARENTA ANOS!

Quarenta!
É uma marca! Uma fase.
E só alguns conseguem passar e sair dos “enta”.
Poucos comemoram um século!
É tempo de revisão! De novos valores!
De novos scripts! De jogar fora velhas roupagens!
De abandonar rancores! De fazer as pazes consigo mesmo!
De brigar menos! Ou melhor, de escolher as brigas!
De silenciar! De ouvir mais!
De olhar para o que permanece!
De ter uma nova percepção do Eterno!
De desfazer do supérfluo, sem deixar de viver!
Tempo de ver a pequena flor no canto da rua!
De enxergar cada criança, e sorrir!
De ver o raio solar que adentra a casa!
De se vestir de aragem e se deliciar!
De respirar até o fundo o perfume do jasmim!
De comer menos! Mas ficar mais tempo com o sabor!
De jogar fora os lixos e fazer adubo dos estercos!
De reter a essência da vida: O Todo Poderoso e as pessoas!
Tempo de abraçar. De desligar os “is” e olhar no olhos!
Tempo de despedir da juventude!
E abraçar a beleza do coração!
Tempo de olhar para cima e enxergar a finitude!
Pois quem vê o final, pode amar verdadeiramente,
A cada dia.
Tempo de ganhar e prover, mas não de acumular
Pois os ladrões e as preocupações se multiplicarão!
Tempo de rever as raízes para fortalecer os frutos!
Tempo de fecundar corações!
De se eternizar nas vidas mais próximas!
Enfim o tempo é agora!
E…se prepare para o novo, dos cinqüenta!
Feliz quarenta, meu filho!

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