MINHA VIDA: Sexta década

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De 1997 a 2006

Década marcada por muitos ganhos e muitas perdas!

Casamento dos filhos. Experiência linda de vê-los sair para cuidar da própria vida. De receber como “filhos” nora e genro.

Construção da casa na montanha! Nunca pensei que um dia teria duas casas, por causa do trabalho que dá no cuidado e preservação.Tenho duas casas e bastante trabalho. Mas amo, as duas!

Nascimento dos três primeiros netos. Delícia pura! Prazer indefinível! Cansaço e alegria. Ao mesmo tempo!

Convite da Editora Vida, para escrever, e “nascem” os três primeiros livros: Ressurreição Interior; Raiva; seu bem, seu mal e Depressão: tem luz no fim do túnel!

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Filho morando no exterior.

Tive muitos ganhos na vida e muitas perdas no meu corpo. Fui submetida a uma histerectomia (extração do útero e ovários) e algum tempo depois retirada da vesícula.  Experimentei fundo o vazio na alma, que a retirada de órgãos do corpo pode deixar. Lidei mais uma vez com a depressão e a tristeza de perder algo no e do corpo. Mas também descobri que o vazio do corpo pode alargar outros espaços. Principalmente o espaço dos relacionamentos.

Foi nesta década que elaborei todas as perdas que o envelhecer vai trazendo. Mas resolvi encarar cada passo do envelhecer. Fiz a despedida da força e da beleza da juventude. O que já fui ficou nas fotos. O que tenho está aqui e há muito o que fazer além dos atributos dos jovens. Decidi assumir as rugas; cada uma tem sua história. Assumi também as gordurinhas que a mudança do metabolismo vai trazendo, sem me entregar ao sedentarismo. Minha alimentação tem bem menos comida, mas com muito mais qualidade. O comer e beber perde muito da sua importância e outras prioridades entram no lugar. Tenho mais prazer em ver um filme do que gastar tempo no preparo ou na espera de uma alimentação.

Aproveitamos muito da nossa casa na montanha. Nesta casa tivemos encontros significativos: Grupos de Encontro psicoterapêuticos; grupos de amigos; grupos de casais e muitos ajuntamentos de família. Os natais com os netos ganharam forma e agora fazem parte da convivência familiar.

No último ano desta década fizemos a primeira longa viagem para a Europa. Trinta dias. De uma tacada só, Suécia, Estônia, França e Espanha. Cada país com seus detalhes e suas características.

Descobri que gosto de história. Fiquei impactada ao ver de perto quanta destruição que uma guerra faz. E muito impressionada com a capacidade que alguns países, como a Estônia tem em recomeçar do zero e refazer o que foi destruído.

Gosto de paisagens. Com montanhas, com gelo, com água, com pontes, com o pôr e o nascer do sol! Minhas fotos têm poucas pessoas e muita paisagem!

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MINHA VIDA: Quinta década

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De 1987 a 1996

Casa nova. Vizinhos novos.

Nova rotina de idas e vindas.

Tudo novo. Tudo diferente.

Mas sou do tipo que me desapego logo. Por causa das muitas mudanças de casa na minha vida deixo para trás com muita dor, mas deixo, o que já não me pertence e me apego ao novo com unhas e dentes. E assim desfrutava de cada novidade.

Até que nossa casa foi arrombada e saqueada por duas vezes em menos de um mês, enquanto estávamos fora. Tensão, taquicardia, radar da apreensão ligado. Medo de sair e medo de entrar em casa…

Mudamos para um apartamento. Vigésimo quarto andar!  Era estranho. Sentia-me aprisionada. Mas da altura que estávamos tínhamos uma vista maravilhosa para a represa Guarapiranga! Era um colírio para meus olhos e um balsamo para meu coração. Todos os dias. Acho que de todos os lugares que morei este foi o de visual mais lindo!

Filhos crescendo e entrando na adolescência. Cada dia um novo desafio. Quem tem adolescentes, não tem rotina!

Com mais tempo disponível fui trabalhar por quatro horas diárias na mesma Comunidade onde, meu marido, era o administrador

Dedicação com muito afinco, como voluntaria, ao trabalho com grupos pequenos, congressos e aconselhamento feminino numa comunidade religiosa que tinha a frequência de mais de 500 mulheres.

Novamente descobri a dor do preconceito e da descriminação por ser líder e mulher. Na comunicação da forma diferente como eu via, era zero em assertividade (até hoje, minha nota é baixa…rs), entendi que o melhor era calar e continuar apenas naquilo que entendia que era um caminho possível no mundo masculino.

Algumas pessoas me decepcionaram muito. Vi-me ferida e em algumas situações muito dolorida! O sentimento era de injustiça. Não conseguia compreender porque meu potencial e talentos não eram aceitos para toda a comunidade. Mas entendi claramente que o tratamento que recebia não tinha nada a ver nem com a fé, e muito menos com o Deus que eu acredito. Depois desta clareza fiz o que me foi permitido fazer com alegria e contentamento.

Por outro lado, lindamente, muitas outras pessoas, homens e mulheres foram amorosos, generosos e bondosos para comigo e para com minha família. Não me faltou nada. Nem material, nem emocional e nem espiritual!

Filhos saindo de casa para estudar fora do país, numa época, sem WhatsApp, sem Skype e com ligações telefônicas caríssimas. Ainda guardo alguma das cartas dos meus filhos de quando moraram fora.

De repente recebo a um baita presente. A maior surpresa da vida. Uma família que me procurou para aconselhamento viu meu talento e facilidade nesta área e me presenteou com o pagamento dos cinco anos de faculdade de psicologia, caso eu passasse no vestibular.  Fiquei com medo, chorei, mas passeie encarei a faculdade de psicologia com muito esforço e afinco e consegui tirar de letra!

Morte do meu pai. Senti muito a partida dele. Meu pai marcou muito minha vida principalmente, porque era um homem simples, mas nunca foi machista. E num contexto de cultura nordestina onde só os meninos estudavam, ele decidiu e determinou que suas filhas não seriam analfabetas.

Ganhamos novos filhos. Hospedamos dois americanos. O primeiro por um ano; o segundo por ano e meio. E hospedamos também um coreano por três meses. Um sobrinho veio morar na minha casa por algum tempo. E quando menos esperamos, concordamos em cuidar e dar o melhor para uma garota de 14 anos, que não podia mais ficar na companhia da mãe e do padrasto. Hoje ela não tem nosso DNA, nem nosso sobrenome mas se tornou nossa filha!

Nesta década aconteceu mais um tempo de muitas descobertas a respeito d´eu mesma. Por uma exigência da faculdade de psicologia, fui para a psicoterapia semanal. E a partir do processo psicoterapêutico pude perceber o quanto eu apresentava uma imagem de forte para disfarçar todo o meu lado frágil, sensível e carente. Aprendi a gostar de mim forte/frágil; frágil/forte! Deixei de ser só “metade”¹

Filhos de volta. Faculdade de um deles e a minha. Estágios e mais estágios e finalmente as universidades, concluídas. Recebi meu diploma de licenciatura em psicologia e especialização para atendimento clinico, exatamente no mês em que fiz 50 anos.

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Foto atual de parte da sala onde trabalho e passo a maior parte do meu tempo.

Fui convidada a deixar o voluntariado que fazia na igreja e dei início ao que considero, a atividade mais nobre da minha vida, atendimento clinico em psicoterapia, no meu consultório!

Mais uma mudança. Meu marido, para facilitar minha vida , porque eu já trabalhava na Vila Mariana resolveu procurar um apto mais perto do meu trabalho e que nos favorecesse na velhice. E encontrou. Compramos!

De Interlagos para Vila Mariana. Na boca do metrô. De um lugar cheio de verde para a muvuca da Rua Domingos de Morais. Novamente tive que avaliar: vantagens e desvantagens. E decidi desfrutar das vantagens. A vista do Parque Ibirapuera. Ao longe, no Bairro Morumbi a vista do Palácio do governo. (Hoje com a construção de tantos prédios nossa vista foi quase toda interditada.) Era só descer no térreo do prédio e qualquer coisa que eu precisasse estava a meu alcance com apenas alguns passos: farmácia, supermercado, lojas, restaurantes, cafeterias etc.

Amo este lugar! E acho que desta moradia, eu só saio para a última viagem da vida. Pela morte.

O ABORTO E SUAS DORES

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Meu trabalho é ouvir os segredos e as dores das pessoas. E entre tantas dores estão as das mulheres que um dia interromperam uma gestação. Algumas aceitam o perdão de Deus, o perdão dos familiares mas tem dificuldades de doarem perdão para si mesmas. Entre estas está a Amália, doutora em arquitetura. Ela queria muito reparar o que fez, ter seu feto de volta. Ou ter seu bebê crescido. Adulto. Não dá mais. A ciência e nem nada neste mundo pode reparar o que foi feito. Quando estava em contato com esta dor, Amália escreveu o poema abaixo:

DOR: Antes e depois

“Dentro de mim tem uma dor

Plantada em amargo chão

De uma semente que não floresceu

Pois um jardineiro a renegou

Infeliz.

 

Dentro de mim tem criança

que se desfez

Tem adolescente que não aconteceu

Tem adulto que não envelheceu

 Ladrão

 

Dentro de mim tem grito de socorro

Largado num vazio

Tem lágrimas transformada em rio

De uma agulha enfiada no coração

Morte

 

Dentro de mim tem estrada sem retorno

E bracinhos que não mais esperam

Tem finitude do que não era meu

Trapaça

 

Eu fui casa sua

E demolição

Seu primeiro tom de respeito

Mas lhe disse não

Abandono

 

E levo comigo um demônio

Que me acorda

Com o pranto seu

Que escancara em minha alma

Aquilo que você não viveu

Remorso

 

 E vou vivendo infeliz

 Roubando, morrendo

 Trapaceando minha vida

 Me abandonando num remorso

 Das vidas que eu não quis.”

 

Deus ama e acolhe quem sofre este tipo de dor. E na cruz de Cristo está a restauração total. Ele esbanjou absolvição para todo e qualquer ato do qual uma pessoa venha a se arrepender. Mesmo aqueles atos que não se tem como reparar. No calvário o coração e a vida pode se refazer e sair da culpa e da auto punição, porque o preço foi pago. Por mim e por ti. “…o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele e pelas suas pisaduras fomos sarados.” Isaías 53.5

 

 

 

SOLIDÃO

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Sozinhos na Solidão

Antes de qualquer coisa, é importante deixar claro que existe o estar sozinho e a solidão. Podemos ficar sozinhos por circunstâncias da vida. É a situação da pessoa idosa que perde o cônjuge, por exemplo. Sozinhos também ficam aqueles que se separam ou as pessoas que saem de sua terra para residir no exterior. Há ainda os casos de enfermidades crônicas e de longa duração, pelas quais, depois de algum tempo, o enfermo não é mais o foco de atenção. Penso que Paulo experimentou esse tipo de solidão quando estava preso em Roma. O apóstolo relata, na carta que escreveu ao jovem Timóteo, que fora abandonado por diversas pessoas que estiveram presentes em outros momentos de sua vida. Demas foi um deles – ele fora atraído pelos apelos do mundo e abandonara a vida cristã ao lado de Paulo. Crescente e Tito tinham viajado em missão para outras cidades, e Alexandre acabou lhe causando muitos males. Paulo, então, se vê só e desamparado, e expressa isso em sua carta.
Podemos, também, decidir por um tempo de afastamento das pessoas do nosso convívio rotineiro. São opções da pessoa em busca de um tempo de solitude e silêncio para consigo mesma ou na tentativa de ampliar as experiências espirituais e ter um contato maior e mais profundo com Deus. A diferença é que, na primeira, a pessoa corre o risco de ficar abandonada, experimentar um desamparo real e até passar por privações – principalmente, no caso de situações onde a presença de alguém como companhia é uma necessidade. No segundo, pode até haver alguma aflição na busca pelo silêncio e solitude, mas é um tempo em que a pessoa escolheu e se permitiu o estar a sós. Na solitude, há a possibilidade da descoberta de novos horizontes, novas percepções e novas aquisições, que poderão ser sedimentadas na vida. Então, se estar só pelas circunstâncias da vida pode levar ao enfraquecimento e à debilidade, permanecer em solitude pela própria escolha leva à possibilidade de fortalecimento e de aquisição de um novo ânimo, de novas forças.
O detalhe é que estar em solidão nem sempre tem a ver com ter ou não ter companhia. A solidão é um estado que invade o ser humano sem pedir licença e traz a sensação horrorosa de abandono e impotência. Tal sensação pode acontecer com qualquer pessoa, mesmo que ela não esteja só – e, talvez, sentir-se só quando se está acompanhado seja muito mais dolorido ainda. Logo, essa sensação de solidão não tem a ver somente com o fato de se ter ou não ter companhia ou com a história de vida do indivíduo, mas, também, com a própria existência. Somos solitários, e muitos atos inerentes à vida são solitários! Muitos solitários, na verdade, estão é tentando fugir de si mesmos, e, é claro, nunca vão conseguir. O melhor a fazer nestas situações é entrar no processo de reconciliação para consigo mesmo. Quem alcança a amizade consigo mesmo vive melhor em sua própria companhia. Assim, até mesmo a solidão, quando chega, pode ser bem vinda!
A solidão, em si, não é maléfica, mesmo que dolorida. Porém, uma pessoa, na tentativa de fugir do sofrimento que a solidão acarreta, pode buscar meios e caminhos destrutivos, como drogas ou álcool, excesso de medicação, vida sexual desregrada, fanatismo religioso ou trabalho exagerado. Todas essas coisas trazem conseqüências desastrosas e não resolvem absolutamente nada quanto à sensação de solidão. Pelo contrário – são opções cujos efeitos, uma vez terminados, atiram o indivíduo em uma sensação de solidão ainda maior, além de provocar o afastamento até mesmo das pessoas que lhe estavam próximas.
É na história de Paulo que podemos tirar algumas lições de como lidar com o estar só e com a solidão. Ao amigo Timóteo, além de relatar sua situação e confessar o abandono em que se encontrava, ele pede a presença dele e a de Marcos, outro amigo que lhe seria útil. E ainda alista coisas que ele precisava, como livros e uma capa para se aquecer no frio da masmorra. Vale lembrar, acima de tudo, Cristo experimentou a mais terrível solidão no Calvário, a ponto de bradar em alta voz e questionar o pai pela razão de tal abandono. Ora, se o caminho da solidão já foi trilhado pelo Deus feito homem, então também podemos atravessá-lo e chegar ao outro lado mais integrados e com mais recursos para caminhar com outros solitários.

Artigo publicado em outubro de 2012 na minha coluna da Revista Cristianismo Hoje: cristianismohoje.com.br

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FAST FOOD EMOCIONAL

“Não tem uma pílula que a gente toma e rapidinho amadurece?” Perguntou-me, uma garota de 20 anos. Logo depois da pergunta, ela caiu na risada, porque sabia a resposta. Ri também e respondi: Bem, se tem e você descobrir, também quero tomar. Porque, mesmo tendo idade para ser sua avó, ainda me vejo cometendo burrices e tolices que me trazem constrangimentos.

Desconfio que enquanto houver batidas do coração haverá também a possibilidade de novos aprendizados! E sinceramente, parece que é isto que faz a vida emocionante!

Vivendo e crescendo. Crescendo e vivendo!

Resgatando o Olfato!

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Gosto imensamente dos cheiros das flores: dama da noite e jasmim! Do café quando está sendo feito; do cheiro da terra molhada pela chuva; do cheiro da grama que acabou de ser cortada; dos pinheiros quando podados; da torta de maça, do pão quando está assando, da carne assada; dos temperos, dos aromas de canela, baunilha; da casa quando acabou de ser limpa; dos lençóis e toalhas cheirosos de pois de lavados, dos sabonetes que uso para tomar banho; do cheiro das peles dos meus quatro netos; das essências dos meus perfumes, com essências escolhidas pelo Kenzo. Enfim amo cheiros e aromas!

Visitei Roma no final do mês de maio. Era primavera. Havia jasmins por toda a parte. Nossa última refeição foi numa cantina pequena. Sentamos numa mesa embaixo de um jasminzeiro. Nada mais agradável. Ficamos ali, meu marido e eu, embebedados com aquele aroma inesquecível, que se misturou com o cheiro do vinho tinto que tomamos para acompanhar a massa do jantar. Puro prazer para lembrar enquanto tivermos memória!

É claro, há também cheiros desagradáveis. Muitos que comunicam situações de perigo, como o aroma colocado no gás para que saibamos que há vazamentos. Ou odores que indicam que temos algum problema de saúde. Ter olfato é sentir odores agradáveis e desagradáveis.

Quero terminar, por hoje, citando o ocorrido no evangelho de São João, quando Marta e Maria hospedavam Jesus pela última vez. Maria derrama um vidro de perfume nos pés de Cristo. E o escritor diz que “a casa encheu-se com a fragrância do perfume”. Esta cena me toca muito, porque Maria derrama o perfume e enxuga os pés de Jesus com os cabelos. Massagem deliciosa, preparando o Mestre para o intenso sofrimento que estava para chegar. O resultado deste gesto é que Maria e Cristo ficaram com o mesmo perfume. Quem passava por Cristo ou por Maria, sentia o aroma. E se passasse depois pelo outro identificava: “É o mesmo perfume”.

Resgatando o ouvir

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Shemah é um verbo em hebraico que significa “OUÇA”. Mas não é um ouvir qualquer. É um ouvir escutando de verdade tudo o que outro está dizendo e ou comunicando. Ouvir assim requer que se desligue qualquer conexão com os pensamentos que estão em outro lugar. É preciso se despedir de qualquer preocupação que não tem nada a ver com a pessoa que está ali na frente. Requer concentração no outro não só dos ouvidos, mas também do olhar e do próprio corpo. É ouvir a fala, mas também prestar atenção no que está sendo dito e na forma como a pessoa se expressa: o tom de voz, o olhar, a expressão facial e até a posição do corpo. Só ouvir a voz não basta. As vezes, nos trabalhos de grupo, coloco alguma música que entendo possa comunicar alguma coisa referente a situação em que o grupo ou alguém do grupo está experienciando. Em quase todas as vezes em que fiz isto, depois eu ouço: “Nossa, já ouvi esta música tantas vezes, mas nunca tinha prestado atenção na letra. Que demais”! Penso que é assim que fazemos também com as pessoas a nossa volta. Escutamos a voz, mas não sabemos o que elas estão falando e não ouvimos o que elas querem comunicar, ou comunicam sem querer.

Pior ainda é quando não estamos ouvindo e fingimos que estamos prestando atenção. Nosso corpo está ali mas nossos pensamentos estão em outro lugar ou em outro assunto.

Penso que o Shemah também diz respeito a capacidade de ouvir o que se passa a nossa volta, como o canto dos pássaros, o grilar dos grilos, o coaxar dos sapos o barulho da chuva, o movimento do vento, as ondas do mar, o movimento da água de uma fonte, o barulho das crianças, enfim, permitir que os sons se façam presente em nosso ser.

Penso que uma das razões que não ouvimos melhor o que vem de fora é porque também não somos capazes de ouvir o que vem de dentro de nós mesmos. Ficamos ensurdecidos para nossas vozes interiores. Tanto as de dor, como as de bom senso e sabedoria. Não ouvimos nosso corpo pedir descanso, ou clamar por qualquer outra necessidade, que poderia muito bem ser saciada por nós mesmos. Terrível é que muitos de nós não ouvimos o bater do nosso próprio coração! Muitos vivem alienados do próprio corpo como se fossem um estranho habitando numa carcaça desconhecida. Talvez por isso muitos de nós adoecemos, como se fosse uma luz que se acende no painel dando um alerta de pedido de socorro.

Como cristã que sou e fissurada em Cristo, me lembro milagre da cura do surdo-gago. Cristo colocou o dedo no ouvido do homem, olhou para os céus, suspirou e disse: EFATÁ, que quer dizer abre-te! E o homem passou a ouvir.

Que o Efatá aconteça nos meus ouvidos e nos seus!

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