MINHA VIDA: Sétima década

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De 2007 a 2017

Muito aprendizado e novos ganhos!

Nesta década a alegria de ser avó foi ampliada. Chegaram mais quatro netos. E desta vez duas meninas. E cada um conquistou meu coração com o próprio jeito especial de ser! Gosto e amo cada um de jeitos diferentes. Mas tento ser justa com todos.  As vezes consigo…

Perdi mais uma parte do meu corpo. Meus cristalinos embaçados pela catarata, foram substituídos por lentes. E depois de 50 anos aposentei meus óculos! Heheheh!!!

Fizemos muitas viagens. Para dentro e para fora do país!

Na área espiritual, aprendi a experimentar a leveza do fardo e a suavidade do jugo de Cristo, como ele mesmo prometeu. O cristianismo autentico liberta. Quando volto a ler o evangelho é porque sinto saudades de rever novamente a vida de Cristo.

Algumas coisas doloridas e difíceis atravessaram minha vida, sem meu desejo e planejamento. Tive que me adaptar mais que uma vez a realidades que eu não esperava. Mas tenho escolhido ser a boa parte do inesperado dolorido que atravessa minha vida.

Esqueço algumas coisas que não deveria esquecer, mas percebo que há espaço para novos conteúdos! Há detalhes da natureza e aspectos da vida que só dá pra perceber e desfrutar depois que já se viveu meio século.

Década de muito aprendizado!

Joguei fora velhos conceitos que não me servem mais e “realidades” distorcidas que me impediam de ver com compaixão a mim mesma e ao outro. Mudei o roteiro do meu script de vida várias vezes.

Encarei minha finitude, mas prefiro viver do que ficar esperando a morte. Ela terá que me surpreender! E creio na ressurreição!

Aprendi:

Que na velhice as limitações vão acontecendo, mas é possível enxergar, ver e sentir muito mais que antes, mesmo que algum dos órgãos do sentido já estejam embotando.

Que sinto dores todos os dias. Algumas novas a medida que o tempo passa. Mas falar sobre elas não faz com que desapareçam! Há assuntos bem mais empolgantes!

Que as rugas carregam histórias!

Que é mais fácil cuidar do “fora” do que reformar “dentro”!

Que lágrimas se derramam pelos meus olhos, incontrolavelmente, quando vejo ou escuto sobre perdas e dor…

Que me emociono muito quando recebo afeto e aprovação. Pode ser de uma criança, de um homem, ou de qualquer pessoa que me vê…

Que ouvir é muito mais  importante que falar…Cada dia que passa falo menos…

Que para quem não quer eu não tenho nada pra dar;

Que para quem não quer ouvir, eu não tenho nada pra falar.

Que o que você faz marca muito mais do que o que você fala.

Que os que estão bem perto, muitas vezes são os primeiros a desprezar o seu saber…

Que é sofrido demais ver as escolhas feitas que trarão tantas dores, que familiares e pessoas queridas vão fazendo.

É preciso aguentar a dor da impotência de não conseguir impor nada, mesmo que, esteja certa, e seja para o bem do outro.

E é preciso ter estrutura física, mental e psicológica para aguentar os danos que virão para os queridos, que poderiam ser ter sido evitados…

Que gosto muito de crianças e jovens! E muitos deles gostam de mim!

Que gosto de viver!

Que ainda tenho sonhos! Vários! Mesmo reconhecendo que a maior parte da jornada da vida eu já vivi.

Que a morte tem pouco poder. Ela pode destruir o corpo que tenho aqui, mas não consegue destruir o que vou deixando nos corações e vida de outros.

Privilégio, fazer 70 anos!

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MINHA VIDA: Sexta década

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De 1997 a 2006

Década marcada por muitos ganhos e muitas perdas!

Casamento dos filhos. Experiência linda de vê-los sair para cuidar da própria vida. De receber como “filhos” nora e genro.

Construção da casa na montanha! Nunca pensei que um dia teria duas casas, por causa do trabalho que dá no cuidado e preservação.Tenho duas casas e bastante trabalho. Mas amo, as duas!

Nascimento dos três primeiros netos. Delícia pura! Prazer indefinível! Cansaço e alegria. Ao mesmo tempo!

Convite da Editora Vida, para escrever, e “nascem” os três primeiros livros: Ressurreição Interior; Raiva; seu bem, seu mal e Depressão: tem luz no fim do túnel!

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Filho morando no exterior.

Tive muitos ganhos na vida e muitas perdas no meu corpo. Fui submetida a uma histerectomia (extração do útero e ovários) e algum tempo depois retirada da vesícula.  Experimentei fundo o vazio na alma, que a retirada de órgãos do corpo pode deixar. Lidei mais uma vez com a depressão e a tristeza de perder algo no e do corpo. Mas também descobri que o vazio do corpo pode alargar outros espaços. Principalmente o espaço dos relacionamentos.

Foi nesta década que elaborei todas as perdas que o envelhecer vai trazendo. Mas resolvi encarar cada passo do envelhecer. Fiz a despedida da força e da beleza da juventude. O que já fui ficou nas fotos. O que tenho está aqui e há muito o que fazer além dos atributos dos jovens. Decidi assumir as rugas; cada uma tem sua história. Assumi também as gordurinhas que a mudança do metabolismo vai trazendo, sem me entregar ao sedentarismo. Minha alimentação tem bem menos comida, mas com muito mais qualidade. O comer e beber perde muito da sua importância e outras prioridades entram no lugar. Tenho mais prazer em ver um filme do que gastar tempo no preparo ou na espera de uma alimentação.

Aproveitamos muito da nossa casa na montanha. Nesta casa tivemos encontros significativos: Grupos de Encontro psicoterapêuticos; grupos de amigos; grupos de casais e muitos ajuntamentos de família. Os natais com os netos ganharam forma e agora fazem parte da convivência familiar.

No último ano desta década fizemos a primeira longa viagem para a Europa. Trinta dias. De uma tacada só, Suécia, Estônia, França e Espanha. Cada país com seus detalhes e suas características.

Descobri que gosto de história. Fiquei impactada ao ver de perto quanta destruição que uma guerra faz. E muito impressionada com a capacidade que alguns países, como a Estônia tem em recomeçar do zero e refazer o que foi destruído.

Gosto de paisagens. Com montanhas, com gelo, com água, com pontes, com o pôr e o nascer do sol! Minhas fotos têm poucas pessoas e muita paisagem!

MINHA VIDA: Quinta década

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De 1987 a 1996

Casa nova. Vizinhos novos.

Nova rotina de idas e vindas.

Tudo novo. Tudo diferente.

Mas sou do tipo que me desapego logo. Por causa das muitas mudanças de casa na minha vida deixo para trás com muita dor, mas deixo, o que já não me pertence e me apego ao novo com unhas e dentes. E assim desfrutava de cada novidade.

Até que nossa casa foi arrombada e saqueada por duas vezes em menos de um mês, enquanto estávamos fora. Tensão, taquicardia, radar da apreensão ligado. Medo de sair e medo de entrar em casa…

Mudamos para um apartamento. Vigésimo quarto andar!  Era estranho. Sentia-me aprisionada. Mas da altura que estávamos tínhamos uma vista maravilhosa para a represa Guarapiranga! Era um colírio para meus olhos e um balsamo para meu coração. Todos os dias. Acho que de todos os lugares que morei este foi o de visual mais lindo!

Filhos crescendo e entrando na adolescência. Cada dia um novo desafio. Quem tem adolescentes, não tem rotina!

Com mais tempo disponível fui trabalhar por quatro horas diárias na mesma Comunidade onde, meu marido, era o administrador

Dedicação com muito afinco, como voluntaria, ao trabalho com grupos pequenos, congressos e aconselhamento feminino numa comunidade religiosa que tinha a frequência de mais de 500 mulheres.

Novamente descobri a dor do preconceito e da descriminação por ser líder e mulher. Na comunicação da forma diferente como eu via, era zero em assertividade (até hoje, minha nota é baixa…rs), entendi que o melhor era calar e continuar apenas naquilo que entendia que era um caminho possível no mundo masculino.

Algumas pessoas me decepcionaram muito. Vi-me ferida e em algumas situações muito dolorida! O sentimento era de injustiça. Não conseguia compreender porque meu potencial e talentos não eram aceitos para toda a comunidade. Mas entendi claramente que o tratamento que recebia não tinha nada a ver nem com a fé, e muito menos com o Deus que eu acredito. Depois desta clareza fiz o que me foi permitido fazer com alegria e contentamento.

Por outro lado, lindamente, muitas outras pessoas, homens e mulheres foram amorosos, generosos e bondosos para comigo e para com minha família. Não me faltou nada. Nem material, nem emocional e nem espiritual!

Filhos saindo de casa para estudar fora do país, numa época, sem WhatsApp, sem Skype e com ligações telefônicas caríssimas. Ainda guardo alguma das cartas dos meus filhos de quando moraram fora.

De repente recebo a um baita presente. A maior surpresa da vida. Uma família que me procurou para aconselhamento viu meu talento e facilidade nesta área e me presenteou com o pagamento dos cinco anos de faculdade de psicologia, caso eu passasse no vestibular.  Fiquei com medo, chorei, mas passeie encarei a faculdade de psicologia com muito esforço e afinco e consegui tirar de letra!

Morte do meu pai. Senti muito a partida dele. Meu pai marcou muito minha vida principalmente, porque era um homem simples, mas nunca foi machista. E num contexto de cultura nordestina onde só os meninos estudavam, ele decidiu e determinou que suas filhas não seriam analfabetas.

Ganhamos novos filhos. Hospedamos dois americanos. O primeiro por um ano; o segundo por ano e meio. E hospedamos também um coreano por três meses. Um sobrinho veio morar na minha casa por algum tempo. E quando menos esperamos, concordamos em cuidar e dar o melhor para uma garota de 14 anos, que não podia mais ficar na companhia da mãe e do padrasto. Hoje ela não tem nosso DNA, nem nosso sobrenome mas se tornou nossa filha!

Nesta década aconteceu mais um tempo de muitas descobertas a respeito d´eu mesma. Por uma exigência da faculdade de psicologia, fui para a psicoterapia semanal. E a partir do processo psicoterapêutico pude perceber o quanto eu apresentava uma imagem de forte para disfarçar todo o meu lado frágil, sensível e carente. Aprendi a gostar de mim forte/frágil; frágil/forte! Deixei de ser só “metade”¹

Filhos de volta. Faculdade de um deles e a minha. Estágios e mais estágios e finalmente as universidades, concluídas. Recebi meu diploma de licenciatura em psicologia e especialização para atendimento clinico, exatamente no mês em que fiz 50 anos.

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Foto atual de parte da sala onde trabalho e passo a maior parte do meu tempo.

Fui convidada a deixar o voluntariado que fazia na igreja e dei início ao que considero, a atividade mais nobre da minha vida, atendimento clinico em psicoterapia, no meu consultório!

Mais uma mudança. Meu marido, para facilitar minha vida , porque eu já trabalhava na Vila Mariana resolveu procurar um apto mais perto do meu trabalho e que nos favorecesse na velhice. E encontrou. Compramos!

De Interlagos para Vila Mariana. Na boca do metrô. De um lugar cheio de verde para a muvuca da Rua Domingos de Morais. Novamente tive que avaliar: vantagens e desvantagens. E decidi desfrutar das vantagens. A vista do Parque Ibirapuera. Ao longe, no Bairro Morumbi a vista do Palácio do governo. (Hoje com a construção de tantos prédios nossa vista foi quase toda interditada.) Era só descer no térreo do prédio e qualquer coisa que eu precisasse estava a meu alcance com apenas alguns passos: farmácia, supermercado, lojas, restaurantes, cafeterias etc.

Amo este lugar! E acho que desta moradia, eu só saio para a última viagem da vida. Pela morte.

MINHA VIDA: Quarta década

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De 1977 a 1986

Filhos pequenos. Muito tempo gasto com eles. Passeios, alimentação, brincadeiras e o início da vida escolar; doencinhas, idas ao pediatra, ortodentista; natação e etc. etc. Sem contar os acidentes infantis: braço quebrado, cotonete furando o ouvido, língua cortada… Dormir quando eles dormem. Nem sempre comer…Cinema, jantar fora e passeios a sós muitas vezes ficaram para depois…Cultivamos amizades neste tempo de filhos ainda pequenos e fizemos amigos que permanecem até hoje.

Mudamos de cidade. Fomos para uma casa maior, com quintal, árvores, coelhos e cachorro…

Eliel, meu marido, progredia e subia na escalada no mundo executivo.

Eu tinha todo o pique do mundo. Cuidava de todos os detalhes dos filhos: roupa, médico, lanche, tarefas escolares, levar e buscar nas escolas…no final do dia viajava 30km para estudar a noite, na Faculdade Teológica. Dormia depois da meia noite e as 06.30h estava em pé…Ufa!

Foi a década de muitas descobertas a respeito de mim mesmo. Algumas indicavam habilidades e talentos que tenho. Outras apontavam para minhas sombras. Situações e realidades dos anos já vividos, com muitos nós, que agora, no presente, eu precisava desatar, um por um. Caso contrário, a vida ficaria truncada.

Descobri que tinha muita habilidade para compartilhar alguma coisa aprendida, com mulheres, com jovens e com casais. Conseguia trazer lições da vida de Cristo para o cotidiano com muita facilidade. Mas também foi o tempo em que sofri as piores críticas da minha vida e me decepcionei muito com a instituição religiosa. Fui injustiçada e perseguida. Vi-me deprimida, por alguns meses, mas tudo isto só serviu para que experimentasse mais e mais do mistério da intimidade espiritual com Cristo. Experiência difícil de explicar, mas que foi real na minha vida e me tornou mais humana e compassiva.

Foi também a década da crise existencial. Afinal depois que se entra nos “entas” raramente se sai! E os quarenta estavam chegando!

Fiz dieta optando por uma alimentação saudável e pouco calórica. Perdi o pouco excesso de peso que tinha e voltei a ter o peso de solteira por muitos anos.

Voltamos da cidade pequena para onde morávamos antes: Santo André. Compramos uma nova casa, numa rua tranquila e sem saída, com a intenção de não mais sair dela. Mas tudo mudou em menos de um ano. Meu marido deixou de ser executivo e foi trabalhar numa instituição religiosa como administrador. Isto significou uma quebra grande nas nossas finanças. Caiu pela metade. Mas nossa crença era que, andar nos valores que acreditávamos e investir em pessoas valia mais que tudo.

No curso de teologia me especializei em aconselhamento.

Mudança de Santo André para São Paulo, bairro Interlagos.