PÁSCOA 2018

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“Não é mais a morte com seu poder destruidor quem dá as ultimas cartas, mas a ressurreição e a certeza de novos céus e nova terra…”

A morte e ressurreição de Cristo também nos abriram mais uma porta: somos capazes de lidar com nossa finitude, pois ela nada mais é que um elo entre a vida da qual já tomamos posse aqui na Terra e o desfrutar sem limites desta vida na eternidade. Apesar da nossa limitação, podemos viver livres do fardo da morte.

Pablo Richard (teólogo chileno) afirma:

“A pessoa espiritual é a pessoa viva, salva, liberta da morte. A espiritualidade não é a vida da alma liberta do corpo, mas a vida da pessoa liberta da morte. A salvação é o resgate da vida contra o poder da morte, não é o resgate da alma contra o poder do corpo…Quando a morte e o medo dela determinam a natureza da vida humana e a ressurreição não tem mais nenhum poder e verdade, cessa a vida espiritual. É aquilo que o apóstolo Paulo afirma quando diz “comamos e bebamos porque amanhã morreremos”.

O fatalismo da morte cria a loucura e o desespero da vida. Reduzimos a existência humana a uma busca frenética de significado a partir da morte e da desesperança que ela cria. Nada há além dela a não ser o vazio e o caos. É uma vida orientada pela morte e para a morte.

A ressurreição de Cristo, ao contrário, traz uma nova esperança. Não é mais a morte com seu poder destruidor quem dá as ultimas cartas, mas a ressurreição e a certeza de novos céus e nova terra…É a presença daquele que Deus com poder ressuscitou dentre os mortos e que agora, presente na vida daqueles que creem, faz com que o eterno e o terreno se misturem, dando um novo sentido para a vida.” Livro: Ressurreição Interior, página 67/68

FELIZ PÁSCOA!  Para todos!

 

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TRIBUTO À SHEILA

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Ontem fez doze anos que a Sheila, uma das pessoas que mais gostei na vida, faleceu. Ela me pimg_1161rocurou como psicoterapeuta porque tinha recebido um diagnóstico que viveria apenas cinco meses, por causa do câncer que devastava seu corpo. Depois disto ela viveu 10 anos! E caminhar com ela foi uma das experiências mais rica da minha vida.

 

 

Publico hoje, o que falei (a convite dela, ainda em vida) na cerimonia religiosa do seu funeral.

DESPEDIDA DO CORPO DA SHEILA 

Ser convidada, pela própria pessoa ainda em vida, para participar do último cerimonial da sua vida, a despedida do seu corpo, no funeral, é honroso e difícil ao mesmo tempo.

Honroso porque, sempre me senti muito amada pela Sheila. E o pedido para que eu estivesse aqui confirma o carinho e consideração que ela demonstrava para comigo. Difícil porque eu também amei e gostei dela e apesar de ter tido muito tempo para me preparar para este momento, meus sentimentos se misturam entre o alívio de vê-la já sem dor e a saudade que já sinto da presença física dela.

A primeira vez que a Sheila manifestou o desejo para que eu falasse em seu funeral, me preocupei em saber o que ela gostaria que eu falasse. E ela respondeu:

“Fale de como vivi. De como me empenhei em ser gente. De como fiquei atenta para experimentar cada sentimento em toda sua profundidade. E de como eu quis aproveitar cada minuto da minha vida. Não quero virar um tipo de santa na minha morte. Não quero rasgação de seda. Quero apenas que me vejam como alguém que viveu intensamente…”

E assim passo a relatar aqui alguns dos assuntos que fizeram parte dos nossos encontros, entendendo que eles dizem respeito a uma vida com intensidade.

Em dezenas de situações nosso assunto girou em torno de:

  • A alegria de estar viva, de respirar, de sentir, de ver, de caminhar, de comer, de curtir e brigar com os familiares (e são vários), de trabalhar, de dançar, de namorar, de ter sonhos e de alcançá-los…. Cada uma destas coisas era uma comemoração! Minha e dela.
  • A finitude humana. Não somos tão poderosos como as vezes pensamos. E toda e qualquer beleza, ou aparência física, ou superioridade um dia se desfará diante da realidade da nossa finitude aqui nesta vida.
  • Do morrer e do viver. Do medo da morte, que nos ilude, fazendo de conta que somos exceções. E nos conduz ao medo da vida, que nos paralisa e nos trava de viver. E nos leva ao fazer mecanicamente tantas coisas, sem o sentir. Ou então nos leva a fugirmos de nós mesmos e passamos a viver uma vida fragmentada. Pela metade. Acho que uma das figuras que representam a vida e a morte que a Sheila mais gostava era a de que:

A vida é como um rio que começamos a atravessar desde que nascemos. A morte são as bandeirinhas que acenam na outra margem. Cada um tem a sua, mas os portadores de doenças terminais enxergam a própria bandeirinha. Os outros vivem como se não tivessem a sua própria bandeirinha”

  • O cansaço de tanta quimioterapia, de tantos exames, de tantas consultas, de tantas internações, dos efeitos colaterais, de ser exemplo, de ser forte….
  • A raiva de ter câncer. De ter um prognóstico de que morreria jovem. De muitas vezes não ser compreendida. De muitas vezes se ver e ser vista como vítima. De muitas vezes não receber o que gostaria. E também, muitas vezes, de receber o que não gostaria.
  • A tristeza de saber de que muitos dos seus sonhos não seriam realizados….
  • As carências: a necessidade de depender de outros; de cuidar de outros; a necessidade do toque físico, o quanto era bom abraçar e ser abraçada; o gostar de beijos, de carinho, de ternura; o anseio pelo calor de um corpo….

Enfim o quanto precisamos um do outro.

  • De Deus. Das dúvidas a respeito da Sua existência, dos questionamentos da fé, da expectativa do mistério de crer, do sofrimento angustiante de Cristo Jesus no Getsemane e no Calvário. Mas também da convicção que mesmo o corpo morrendo, em Cristo somos eternos….

Com a Sheila, tive que encarar a finitude do meu próprio corpo. Com a Sheila aprendi a tomar posse, pela fé, da eternidade do meu viver em Cristo Jesus, enquanto estou aqui. Com a Sheila fui estimulada a me entregar por inteira a cada coisa que escolho fazer. Porque por ter convivido com ela, tenho mais consciência de que cada momento pode ser o último.

A presença dela, mesmo em silêncio, me lembrava que enquanto alguma parte do meu corpo estiver viva, ainda posso celebrar a vida! E depois do meu corpo morto posso me apossar da VIDA!!!

Quero fazer minha a última palavra que a Sheila, já meio entorpecida pelos sedativos, mas ainda com força para entreabrir os olhos, me disse:

“Obrigada!”

Obrigada Sheila!

Sentirei saudades da sua presença, mas você está viva em minha vida!

Quero agora deixar para todos a poesia (de um participante,  Ailton Lopes, do último Grupo de Encontro que a Sheila participou (maio de 2004 em Campos do Jordão), escrita quando ele soube que ela seria sedada para passar os últimos momentos sem dor.)

VAI AMIGA 

saudade…

tristeza…

dor…

seu desejo pela vida e sua alegria metastasiou em nossos corações.

a intensidade de suas emoções invadiram nossa alma.

vai amiga…

vai pra festa q é sua…

vai pros braços dAquele q já trilhou todos os caminhos antes de vc,

por amor a vc.

se eu não soubesse q esse momento é só seu

lhe pediria pra levar a gente junto. Tom Lopes

 

Finalmente quero dizer que muitas vezes eu esperei por você Sheila. Mas agora é você  quem vai esperar por mim.

Aguarde-me!

Eu chegarei lá!

Esther Carrenho    30/10/2004

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PÁSCOA 2015

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Como muitos já sabem, sou cristã e tenho uma veneração toda especial por Cristo Jesus. Eu creio mesmo que ele era Deus que se fez gente, nasceu bebê, cresceu, viveu e morreu. Mas não ficou no túmulo! Ressuscitou para renovar cada dia não só a esperança, mas também a certeza da continuidade da vida em nossos corações. Nesta Páscoa, quero lembrar que vejo muita semelhança no ocorrido na última semana de vida aqui na terra, de Cristo e o processo de crescimento humano. Diante da expectativa de sofrimento os discípulos, dormiram, fugiram e depois duvidaram da Vida que (re)surgiu do túmulo em que Ele ofertado por José de Arimatéia, onde Seu corpo morto fora colocado. Cristo venceu a morte saindo de dentro dos tecidos da mortalha que o envolvia. Mas antes do domingo de aleluia, foi preso, menosprezado, cuspido, furado e pregado. Foi colocado no túmulo deixando um vazio horroroso e sombrio no coração dos seus seguidores. Mas na madrugada de sábado para o domingo quebrou o ferrão da morte, que ficou aleijada para sempre. Vejo muitas semelhanças no movimento humano em direção ao crescimento. É possível que se tenha de passar por todas estas fases e momentos. Quem quiser vencer as partes amortecidas em si mesmo, precisa ter a disposição e coragem de enfrentar seu próprio calvário, para finalmente ver ressurgir a vida abundante para a qual Deus nos criou. Feliz Páscoa 2015.Como muitos já sabem, sou cristã e tenho uma veneração toda especial por Cristo Jesus. Eu creio mesmo, que Ele era Deus que se fez gente, nasceu bebê, cresceu, viveu e morreu. Mas não ficou no túmulo! Ressuscitou para renovar cada dia, não só a esperança, mas também a certeza da continuidade da vida em nossos corações.
Nesta Páscoa, quero lembrar que vejo muita semelhança no ocorrido na última semana de vida aqui na terra, de Cristo, e o processo de crescimento humano.
Diante da expectativa de sofrimento os discípulos, dormiram, fugiram e depois duvidaram da Vida que (re)surgiu do túmulo, ofertado por José de Arimatéia, onde Seu corpo morto fora colocado. Cristo venceu a morte saindo de dentro dos tecidos da mortalha que o envolvia. Mas antes do domingo de aleluia, foi preso, menosprezado, cuspido, furado e pregado. Foi colocado na tumba, deixando um vazio horroroso e sombrio no coração dos seus seguidores. Mas na madrugada de sábado Ele surgiu Vivo novamente quebrando o ferrão da morte, que ficou aleijada para sempre.
Vejo muitas semelhanças no movimento humano em direção ao crescimento. É possível que se tenha de passar por todas estas fases e momentos. Quem quiser reviver as partes amortecidas em si mesmo, precisa ter a disposição e coragem de enfrentar o calvário ao encarar de frente suas próprias mazelas. Assim há possibilidade de ver ressurgir a vida abundante para a qual Deus nos criou, aqui.
Que possamos desfrutar do NOVO que o domingo da ressurreição anuncia: A Vida triunfou!
Que tenhamos mais vida!
Feliz Páscoa 2015.

PÁSCOA 2014

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Dedico este pequeno texto a todas as pessoas que repartem comigo suas dores, seus anseios e seus sonhos.

Páscoa além de lembrar feriado, ovos de chocolates e família traz também a memória o verdadeiro significado na prática cristã. Cristo saiu do túmulo e vive para sempre. Ele morreu na sexta-feira depois de uma condenação injusta e rápida (desconfio que é a mais rápida da história, foi preso na quinta ao anoitecer e no dia seguinte pela manhã foi condenado) foi crucificado e morreu as 15h. Mas na noite de sábado para domingo Ele ressuscitou. E, quando Maria de Magdala e outras mulheres foram ao túmulo levando unguentos, para cuidar melhor do corpo dele no domingo, a pedra estava fora do lugar e o interior do túmulo vazio. E por mais que se pesquise é comprovado que um corpo morto esteve naquele lugar, mas não como provar que o corpo tenha apodrecido ali. Ele ressuscitou. Venceu a morte! Refez a esperança!

Como cristã, creio nisso! Mas creio mais. Creio que o efeito da ressurreição de Cristo não se limita apenas a Vida Eterna. Ela se estende a nós em nossa vida terrena e faz toda a diferença. Em nossos processos de crescimento trilhamos muitas vezes caminhos de volta para buscar aquilo que, deveria fazer parte da nossa vivência cotidiana, mas acha-se amortecido e enterrado em algum lugar nos recônditos das nossas vidas e das nossas memórias. Então a páscoa pode e deve ser também uma renovação da esperança e do ânimo em cada coração para não temermos a busca da vida que se perdeu em algum trajeto ou experiência dolorida. Crendo que há a possibilidade do “morto” ganhar vida, ressuscitar e se reintegrar  no nosso viver diário, fazendo-nos mais inteiros e contribuindo para nossa completude!

Então, feliz páscoa! Em todos os sentidos!

PÁSCOA 2012

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Não consigo deixar de pensar nos significados das comemorações cristãs. E hoje comemoramos a ressurreição de Cristo. A fé cristá descoberta pelo meu pai, antes do meu nascimento, mudou radicalmente a minha história. Uma boa parte dos meus antecedentes eram irresponsáveis com os filhos, tinham várias mulheres e muitos eram alcoolistas. Alguns eram bandidos e assassinos. Eram violentos. Todos tinham nomes feiosos e sem significado. Ninguem estudava, tinham escassez de tudo e viviam na mais terrível miséria. Com o advento do cristianismo na vida do meu pai. Tudo mudou: ele se alfabetizou, documentou o nascimento de todos os filhos, escolheu nomes com cuidado e significado. Exigiu que todos estudassem, mesmo as meninas (pratica que não existia no contexto dele) e era rígido com a desonestidade com a vadiagem e falta de compromisso. Cresci no contexto de que havia um Deus resgatador. Houve um momento na minha vida que não tive para onde ir a não ser reconhecer que Cristo Jesus vive! Hoje eu continuo crendo e creio, também em todos os mistérios(o que não dá para explicar na fé cristã) e muitas coisas se fizeram e ainda se fazem novas na minha vida. Portanto minha meditação nesta páscoa, novamente, é sobre Maria de Magdala, para mim “a mulher que viu”.

MARIA MADALENA: O MELHOR ENCONTRO

Ela nasceu em Magdala e porisso ficou conhecida como Maria Ma(g)dalena.

Ela foi libertada por Cristo, da opressão mortal de sete espíritos malignos.(Lc 8.2) E desde então O seguia, nas curtas viagens que fazia, servindo-o com seus bens. Por causa disto até hoje muitos afirmam que ela tinha um caso com Cristo. O que não passa de difamação, uma vez que as escrituras registram apenas a grande afeição que ela tinha pelo seu Salvador e libertador.

Depois de Maria, mãe de Jesus, ela foi a mulher que mais se preocupou e mais esteve presente na crucificação, morte e sepultamento de Cristo. Ficou ali no Golgota até o fim. (Jo.19.25) E quando  José de Arimatéia, no final do dia de sexta-feira, conseguiu autorização para sepultar Jesus, Maria Madalena o acompanhou e observou com muito cuidado onde o corpo fora colocado.(Mt.27.61) Maria foi para casa preparar as especiarias que ela usaria para terminar o trabalho de embalsamamento. No domingo, Maria levantou bem cedo e com outras mulheres, foram até o sepulcro.(Mt.28.1) Ficou muito assustada quando deparou com o túmulo vazio. Correu para chamar Pedro e João, que vieram ao local e constataram que o corpo não estava lá. Os dois voltaram para casa, mas Maria ficou ali sentada, chorando desconsoladamente.(Jo.20.1 a 12)

Para ela era frustrante demais não poder prestar seu último serviço Aquele que tanto fizera por ela. Todos se foram, mas ela chorando, ainda insistia em localizar o corpo de Cristo  para levá-lo consigo.

E é o próprio Cristo que se apresenta, chamando-a de forma afetiva e dando a ela a mensagem mais impactante e transformadora de todos os tempos.

Maria Madalena foi e anunciou: “EU VI O SENHOR! ELE ESTÁ VIVO!”

Maria amou profundamente a Cristo até na morte. Buscou o corpo morto e se encontrou com o Cristo vivo. Chorou toda sua dor pela morte mas recebeu em primeiro lugar a notícia da Vida.

Meu desejo: Que eu tenha a mais profunda afeição por Cristo Jesus, que me resgatou e me libertou de uma vida sem sentido e medíocre. E que mesmo que todos desistam, indo embora, que eu permaneça até encontrar o Senhor da Vida.

PÁSCOA 2012

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Feliz Páscoa

Penso que é possível ser bondoso e não ter um coração misericordioso. Este texto, do Leonardo Boff, ajuda a ver que realmente ter misericórdia e caminhar um pouco mais, além da bondade! Faço dele minha mensagem de Páscoa para 2012.

http://leonardoboff.wordpress.com/2012/04/03/nao-basta-ser-bom-importa-ser-misericordioso/

Abraço.